A mediana das projeções do mercado para a inflação de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB recuou de 1,86% para 1,85%. Os números constam do Sistema de Expectativas de Mercado do Banco Central, com pesquisa encerrada em 2 de outubro e divulgação nesta segunda-feira.
Foi a terceira elevação consecutiva da previsão para o IPCA. A estimativa voltou a ficar 0,51 ponto acima do teto da meta contínua, fixada em 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
Para 2027, a previsão do IPCA recuou para 4,30%. Para 2028, permaneceu em 3,80%. O conjunto indica inflação mais resistente no curto prazo e desaceleração gradual esperada nos anos seguintes.
Projeções para PIB e juros
A estimativa do PIB em 2026 caiu para 1,85%. Para 2027, passou de 1,41% para 1,40%, e para 2028 recuou de 1,83% para 1,81%. Mudanças de um centésimo são pequenas, mas a direção ajuda a acompanhar como economistas assimilam consumo, indústria, serviços e investimento.
A projeção para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,50% ao ano. Para 2027, ficou em 12%, e para 2028, em 10,50%. A manutenção não significa consenso, apenas que o ponto central das respostas não mudou.
No câmbio, a mediana apontava dólar a R$ 5,20 no fim de 2026, R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028. As projeções foram coletadas antes da forte queda da moeda após a eleição. Próximas edições poderão incorporar a mudança.
Focus não é previsão do Banco Central
O relatório reúne estimativas de bancos, consultorias e gestoras. Não é projeção oficial do BC nem promessa. A mediana muda conforme surgem dados de preços, atividade, contas públicas e cenário internacional.
O Banco Central usa informações mais amplas para decidir a Selic: modelos próprios, inflação corrente, núcleos, emprego, câmbio e expectativas. Também considera a persistência das projeções, não apenas uma semana.
Inflação acima do teto tende a aumentar cautela com cortes. Crescimento mais fraco pode reduzir pressões de demanda. O desafio é avaliar qual efeito predomina e com que velocidade preços e atividade respondem.
O que muda para famílias e investidores
Expectativa de inflação maior pode elevar taxas exigidas em renda fixa e influenciar contratos. Para famílias, o impacto depende da inflação efetivamente medida pelo IBGE. Para empresas, juros altos encarecem capital de giro, enquanto demanda fraca limita repasses.
Títulos indexados ao IPCA não são proteção perfeita para qualquer prazo. O principal é corrigido, mas o preço oscila com a taxa real. Quem vende antes do vencimento pode ter ganho ou perda.
A próxima leitura relevante virá dos indicadores oficiais e da comunicação do Copom. O Focus sinaliza piora marginal em preços e crescimento, mas não muda sozinho a trajetória econômica.
Fontes da apuração: Banco Central; Sistema de Expectativas de Mercado; Relatório Focus; CMN; IBGE.
Por que a meta é contínua
No regime adotado pelo Brasil, a inflação é comparada com a meta ao longo do tempo, e não apenas no encerramento de dezembro. O Banco Central precisa explicar desvios relevantes e indicar medidas para reconduzir o índice. A projeção de 5,01% não comprova descumprimento, porque o IPCA efetivo ainda será medido, mas sinaliza que o mercado enxerga risco acima do limite.
A revisão também deve ser confrontada com a composição da inflação. Alimentos e energia podem oscilar rapidamente, enquanto serviços e núcleos tendem a responder mais lentamente aos juros.