O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) mostrou redução nas projeções do mercado para inflação, crescimento e dólar em 2026. A pesquisa, porém, foi coletada até sexta-feira (23), antes do resultado eleitoral e da forte reação dos mercados nesta manhã.
As novas projeções
A mediana para o IPCA de 2026 caiu de 5,22% para 5,19%. A estimativa de crescimento do PIB recuou de 1,83% para 1,80%. Para o dólar no fim do ano, a projeção ficou em R$ 5,05.
A expectativa para a Selic ao término de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano. Mediana significa que metade das projeções está acima e metade abaixo do valor divulgado.
| Indicador | Projeção para 2026 |
|---|---|
| IPCA | 5,19% |
| PIB | 1,80% |
| Dólar no fim do ano | R$ 5,05 |
| Selic no fim do ano | 13,25% |
Por que o dado já nasceu defasado
O Focus reúne estimativas enviadas por bancos, gestoras e consultorias. Como a coleta terminou antes do segundo turno, não incorpora a alta do dólar, dos juros futuros e a queda da Bolsa desta segunda.
Isso não torna a publicação inútil. Ela funciona como fotografia da expectativa anterior ao choque e permite medir, nas próximas edições, quanto o mercado revisou o cenário.
Inflação e câmbio
O corte de três centésimos no IPCA é pequeno. Uma mudança maior dependerá de alimentos, serviços, energia, atividade e repasse cambial.
Se o dólar permanecer acima do nível previsto, importados e insumos podem pressionar preços. O repasse leva tempo e varia entre setores; uma alta de 10% no câmbio não vira automaticamente 10% no IPCA.
PIB menor
A projeção de 1,80% indica crescimento moderado. Juros elevados limitam crédito e investimento, enquanto renda, emprego e exportações podem sustentar parte da atividade.
Os próximos dados mostrarão se a economia chega a 2027 perdendo força. A política fiscal pode apoiar a demanda no curto prazo, mas também elevar juros se aumentar a percepção de risco.
O que acompanhar no próximo Focus
A edição seguinte será especialmente relevante porque incorporará o resultado eleitoral e os primeiros dias de mercado. Câmbio, Selic e inflação podem apresentar revisões mais visíveis.
O leitor deve usar o Focus como consenso, não como promessa. As projeções mudam quando surgem informações e não representam decisão oficial do Banco Central.