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Ford disputa com a GM maior contrato militar dos EUA desde a Guerra Fria

Ford fecha contrato com o Pentágono para três protótipos de caminhão tático e disputa com a GM sua maior aposta militar desde a Guerra Fria.

Foto de Muniz
Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Ford entra na maior aposta militar em defesa desde a Guerra Fria
Ford entra na maior aposta militar em defesa desde a Guerra Fria

A Ford acaba de fechar com o Pentágono um contrato para três protótipos de caminhão baseados na picape F-Series Super Duty e entra de vez na briga com a General Motors por encomendas bilionárias do Exército americano.

A Ford confirmou nesta segunda-feira (27) que garantiu um contrato do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver três protótipos de caminhão tático militar, na maior aposta da montadora no setor de defesa desde a Guerra Fria. Segundo apuração do The Wall Street Journal, a fabricante de Dearborn passa a disputar com a rival General Motors o direito de produzir a nova geração do veículo de infantaria pesado do Exército, o chamado ISV-Heavy, projetado para transportar tropas e equipamentos e ainda fornecer energia elétrica em campo de batalha. De acordo com as informações obtidas pela reportagem, além de Ford e GM, a fabricante de veículos off-road BC Customs, de Utah, também foi contemplada para entregar protótipos que serão testados pelos militares. E o momento não é casual: o Pentágono vem cobrando das montadoras americanas mais capacidade de produção para modernizar e repor equipamento militar pressionado por conflitos ao redor do mundo, o que abriu uma janela rara para quem sabe fabricar em escala industrial. A GM largou na frente porque desenvolve seu ISV-Heavy, derivado da picape Chevrolet Silverado HD, há alguns anos e já teve o veículo levado a testes de campo pelo Exército, enquanto a Ford promete que suas soluções prontas de linha entregam robustez e custo baixo, apoiadas na durabilidade da Super Duty e na rede global de peças e serviços da divisão Ford Pro. A empresa disse estar animada para começar a trabalhar no contrato e prometeu protótipos capazes de mostrar o valor que pode agregar ao Exército.

O episódio é só o retrato mais recente de um movimento maior, o esforço de Ford e GM para deixarem de ser apenas fabricantes de carros num mercado cada vez mais apertado pela concorrência da Tesla e das montadoras chinesas que avançam mundo afora. A Ford acabou de anunciar um negócio de armazenamento de energia que aproveita sua capacidade em baterias de íon-lítio para vender soluções em escala industrial, campo em que a Tesla foi pioneira, e a GM caminha na mesma direção. A ida para a defesa segue essa lógica e não é exclusividade das duas gigantes de Detroit, já que outras fabricantes globais têm buscado o setor militar como fonte de crescimento, movimento que aqui no Brasil também aparece no interesse de grupos como a Volkswagen, que negocia uma fábrica para produzir sistemas de defesa. Do lado da GM, o apetite é claro. A CEO Mary Barra afirmou na teleconferência de resultados do segundo trimestre que a divisão de defesa é uma oportunidade de crescimento atraente e citou o veículo de infantaria baseado no Chevrolet Colorado como exemplo do potencial, lembrando que o Exército encomendou cerca de 1.200 unidades e agora planeja comprar mais de 10 mil, caso o orçamento seja aprovado. A GM Defense projeta faturar cerca de US$ 700 milhões em 2026, mira mais de US$ 1 bilhão em contratos e prevê crescimento anual acima de 30% com margens de dois dígitos, e já fechou uma parceria com a Lockheed Martin, dona do caça F-35, para levar sua produção em larga escala a um setor de defesa que costuma operar em volumes bem menores.

Para o investidor, no entanto, vale calibrar a empolgação com uma dose de matemática. O que move essa corrida é a busca por crescimento de lucro, um desafio que persiste há uma geração nas duas montadoras. A Ford teve cerca de US$ 6,5 bilhões de lucro operacional em 2015, valor praticamente igual ao gerado em 2025, e é essa estagnação que explica por que Ford e GM são negociadas a múltiplos de preço sobre lucro de apenas um dígito, enquanto o índice S&P 500 vale cerca de 20 vezes o lucro esperado para os próximos doze meses. O negócio de energia deve acrescentar em torno de US$ 500 milhões ao lucro operacional da Ford até o fim da década, segundo estimativas de Wall Street, e a aposta em defesa tende a ser vista sob a mesma ótica. Para comparar, a divisão de sistemas de combate da General Dynamics, fabricante do tanque Abrams, gera cerca de US$ 10 bilhões de receita anual e mais de US$ 1 bilhão de lucro operacional. Ford e GM, juntas, somam mais de US$ 360 bilhões em vendas por ano e devem gerar algo perto de US$ 24 bilhões de lucro operacional combinado, com a GM levando vantagem nas projeções. Diante desses números, o ganho potencial das duas em defesa provavelmente será medido em centenas de milhões de dólares, o que não transforma o negócio de ponta a cabeça, mas está longe de ser desprezível. Os investidores devem ouvir mais sobre essa frente quando a Ford divulgar o balanço do segundo trimestre ainda esta semana, e é aí que fica o próximo ponto de atenção no radar: quanto do discurso de defesa vira, de fato, lucro no bolso do acionista.

Com informações do The Wall Street Journal.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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