A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve chegar a 354,5 milhões de toneladas em 2026, novo recorde da série histórica do IBGE. A estimativa divulgada nesta quinta-feira, 15 de outubro, ficou 2,4% acima das 346,1 milhões de toneladas produzidas em 2025.
Em relação ao levantamento de agosto, o instituto adicionou cerca de 1,6 milhão de toneladas à previsão, uma alta de 0,4%. A revisão mostra melhora principalmente em milho e em algumas culturas regionais, mas não significa que todos os produtos terão produção maior.
Os principais números
| Indicador | Estimativa para 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Safra total de grãos | 354,5 milhões t | +2,4% |
| Soja | 175 milhões t | +5,4% |
| Milho | 143,3 milhões t | +1,1% |
| Arroz | 11,2 milhões t | -11,4% |
| Trigo | 5,9 milhões t | -24% |
| Área a ser colhida | 83,2 milhões ha | +2% |
Soja, milho e arroz respondem juntos por 93% do volume estimado. Eles também ocupam 87,3% da área prevista para colheita. Por isso, mudanças nessas três culturas têm grande impacto no total nacional.
Soja e milho puxam o recorde
A produção de soja deve alcançar 175 milhões de toneladas, alta de 5,4% sobre 2025. A área a ser colhida aumenta 1,3%, o que indica que parte do crescimento também vem de produtividade maior.
O milho deve chegar a 143,3 milhões de toneladas, avanço de 1,1%. A primeira safra foi estimada em 29,7 milhões de toneladas, crescimento de 15,5%. Já a segunda safra deve recuar 2%, para 113,6 milhões de toneladas.
A diferença entre as duas etapas é relevante. A primeira safra se beneficiou da recuperação em áreas que haviam sofrido com falta de chuva no ano anterior. A segunda continua muito maior em volume, mas tem comparação menos favorável.
O milho e a soja devem atingir recordes na série do IBGE. Esses produtos têm peso nas exportações, na alimentação animal e na indústria de alimentos e biocombustíveis.
Nem toda cultura cresceu
O arroz deve cair 11,4%, para 11,2 milhões de toneladas. A área colhida diminui 12,6%. Como o produto faz parte da alimentação básica, uma produção menor merece acompanhamento, embora preços também dependam de estoques, importações e distribuição.
O trigo apresenta redução ainda maior. A estimativa de 5,9 milhões de toneladas representa queda de 24% em relação a 2025. A área deve diminuir 20,9%. O Brasil importa parte do trigo que consome, e uma safra doméstica menor pode aumentar a sensibilidade ao dólar e ao preço internacional.
Também há previsão de redução para feijão e algodão. O feijão deve produzir 6,6% menos, enquanto o algodão em caroço recua 3,9%. O sorgo segue em direção oposta, com alta estimada de 11% e expansão de 26,9% na área.
Área maior ajuda, mas clima continua decisivo
A área total a ser colhida foi estimada em 83,2 milhões de hectares, 1,6 milhão acima de 2025. Na comparação com agosto, a revisão acrescentou cerca de 143,7 mil hectares.
Mais área não garante automaticamente mais produção. O rendimento de cada hectare depende de chuva, temperatura, sementes, fertilizantes, pragas e momento do plantio. Eventos climáticos podem alterar as estimativas até o fim da colheita.
O levantamento é atualizado todos os meses. O IBGE reúne informações sobre área, produção e rendimento de culturas relevantes para a economia e a alimentação. Cada edição incorpora dados novos e revisões enviadas pelas equipes regionais.
O que muda para o consumidor
Uma safra recorde de soja e milho ajuda a oferta de ração para aves, suínos e bovinos. Isso pode aliviar custos da cadeia de carnes, ovos e leite, mas não garante queda imediata no supermercado. Câmbio, exportações, energia, transporte e margem das empresas também entram no preço final.
Já as quedas de arroz, feijão e trigo afetam produtos mais próximos do prato do brasileiro. O impacto dependerá da quantidade estocada e da possibilidade de importar. O dólar é especialmente importante para o trigo.
O desempenho do campo também influencia exportações e atividade econômica. A balança comercial brasileira acumulou superávit forte em outubro, e o agronegócio continua sendo uma fonte relevante de dólares, embora o fluxo financeiro tenha dinâmica diferente do comércio.
Próximas revisões
O recorde de 354,5 milhões de toneladas é uma estimativa, não o volume final já armazenado. A safra pode mudar conforme a colheita avança e novos dados chegam.
Nos próximos meses, o foco estará no clima, no rendimento da soja e do milho e na disponibilidade de arroz e trigo. Para o consumidor, o melhor sinal será a combinação de produção alta, câmbio estável e custos logísticos controlados.
Também será necessário acompanhar diferenças regionais. Um recorde nacional pode conviver com perdas importantes em determinados estados. Frete, armazenamento e distância até os mercados consumidores influenciam quanto da oferta chega ao varejo e a que preço.