A inflação oficial praticamente não saiu do lugar em julho, e o acumulado em 12 meses recuou para 4,44%, dentro do limite da meta. O alívio nos alimentos ajudou, mas a conta de luz pressionou. O dado reforça a decisão do Banco Central de cortar os juros.
A inflação deu mais um sinal de trégua. O IPCA, o índice oficial de preços do país, subiu apenas 0,07% em julho, segundo os dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,44%, ficando abaixo do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5%. No acumulado do ano, a alta é de 3,44%, dentro do intervalo perseguido pela autoridade monetária.
O número veio ligeiramente acima do que o mercado esperava (a projeção era de 0,03%), mas segue muito baixo e confirma a tendência de desaceleração dos preços que se desenha há meses. Em julho do ano passado, para efeito de comparação, a inflação havia sido bem maior, de 0,26%.
O que pressionou e o que aliviou
O comportamento dos preços em julho teve dois lados bem definidos. De um lado, o grupo Habitação foi o grande vilão, com alta de 0,99% e o maior impacto no índice, puxado principalmente pela conta de luz. A energia elétrica ficou mais cara porque a bandeira tarifária amarela segue em vigor, adicionando uma cobrança extra à fatura por causa do período seco.
Do outro lado, o alívio veio da mesa do brasileiro. O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, ajudando a segurar a inflação. Vestuário também recuou (-0,66%). Ou seja, enquanto a energia pesou no bolso, a comida ficou mais barata e equilibrou a conta.
Inflação controlada abre espaço para juros menores
Este é o ponto que conecta o dado ao seu dia a dia. Uma inflação baixa e dentro da meta é exatamente o que o Banco Central precisa para seguir reduzindo os juros com segurança.
Não por acaso, o número reforça a decisão tomada na semana passada, quando o Copom cortou a Selic para 14% ao ano. Com os preços comportados, cresce a expectativa de que o ciclo de cortes possa continuar nas próximas reuniões, ainda que o Banco Central venha mantendo um tom cauteloso por causa de riscos como o preço do petróleo e o custo da energia.
O que isso significa para o seu bolso
Na prática, inflação mais baixa significa que o seu dinheiro perde valor mais devagar, preservando o poder de compra. A queda nos preços dos alimentos é uma boa notícia direta para o supermercado, embora a conta de luz mais salgada morda parte desse ganho.
Há também o efeito indireto, e talvez o mais importante no médio prazo: com a inflação sob controle e os juros começando a cair, tende a ficar mais barato tomar crédito, financiar e parcelar compras ao longo dos próximos meses. É um alívio que chega aos poucos, mas na direção certa.
O que fica no radar
Os próximos capítulos vão depender de duas frentes. A primeira é a energia: enquanto a bandeira tarifária seguir amarela ou piorar, a conta de luz continuará pressionando a inflação. A segunda é o câmbio e o petróleo, que ditam boa parte dos custos da economia.
Se a inflação seguir comportada, o Banco Central ganha munição para continuar cortando os juros, o que seria uma boa notícia para o crédito e para a atividade econômica. Por ora, o retrato é positivo: os preços desaceleram, a inflação está dentro da meta e o cenário caminha, aos poucos, para um alívio no bolso do brasileiro.