Banco do Brasil e Bradesco tiveram trajetórias opostas na Bolsa em 6 de outubro, após uma revisão de recomendações do JPMorgan. BBAS3 caiu 6,42%, a R$ 24,64, enquanto BBDC4 avançou 4,40%, a R$ 22,80.
A casa reduziu a recomendação do BB de neutra para underweight, indicando exposição abaixo da referência utilizada no relatório. Para o Bradesco, a mudança foi de neutra para overweight, ou exposição acima da referência. São avaliações relativas de uma instituição de análise, não ordens de compra ou venda para todos os investidores.
O preço-alvo do BB passou de R$ 22 para R$ 23, apesar do rebaixamento. O do Bradesco subiu de R$ 22 para R$ 26, segundo o InfoMoney. Os valores não devem ser confundidos com cotações garantidas ou com pagamentos aos acionistas.
Por que os bancos receberam avaliações diferentes
Na leitura do JPMorgan, a recuperação operacional do BB deve ser mais demorada, com pressão da carteira do agronegócio sobre a rentabilidade. Para o Bradesco, a casa identifica evolução no processo de recuperação e uma relação entre risco e retorno comparativamente melhor.
Essa divergência é importante porque uma queda das taxas de juros não beneficia todo banco da mesma forma. A composição do crédito, o custo de captar recursos e a necessidade de reconhecer perdas influenciam o resultado de cada instituição.
Juros menores podem aliviar tomadores, mas o efeito não é instantâneo. Empréstimos já contratados, atrasos e renegociações seguem seus próprios ciclos. Por isso, mudanças na curva de mercado e melhora da qualidade de uma carteira não são acontecimentos equivalentes.
Alvo maior não elimina risco de queda
A revisão do BB ilustra a diferença entre estimativa de valor e recomendação. Mesmo quando o alvo sobe, o avanço anterior da ação pode deixar menos espaço de valorização. Para interpretar corretamente um relatório, é necessário comparar o alvo com a cotação de referência e com o horizonte adotado.
A avaliação atual também não encerra a discussão sobre o banco. O Analistas já apresentou os cenários do Safra para as ações do Banco do Brasil, que partem de hipóteses próprias. Divergências entre casas são esperadas quando existem incertezas sobre perdas, recuperação e distribuição de resultados.
Os próximos balanços permitirão confrontar essas hipóteses com dados efetivos. Provisões, inadimplência e rentabilidade serão mais informativas do que interpretar a oscilação de um único pregão como uma conclusão definitiva sobre o setor.
Fontes: InfoMoney e Data Mercantil, com informações do relatório do JPMorgan de 6 de outubro de 2026.