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Economia

Mercado abandona corte e vê Selic em até 14,5%

Probabilidades extraídas dos juros futuros mudaram após a eleição; cenário agora concentra apostas de alta da Selic até dezembro.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Colagem minimalista com prédio do Banco Central, moedas e medidor de juros
Mercado de juros passou a indicar manutenção ou alta da Selic nas próximas reuniões. Imagem: Analistas/IA.

O mercado financeiro mudou de forma brusca sua leitura para a Selic e passou a enxergar risco maior de aperto monetário diante das dúvidas sobre inflação e política fiscal. Probabilidades calculadas a partir dos contratos de juros indicavam nesta segunda-feira, 26 de outubro, 77,41% de chance de manutenção da taxa em 13,75% na reunião de novembro e 22,59% de chance de alta para 14%.

O que mudou em uma semana

Uma semana antes, em 19 de outubro, o mesmo cálculo apontava 81,17% de probabilidade de corte da Selic para 13,50% e 18,83% de manutenção em 13,75%. A possibilidade de aumento não aparecia como cenário principal naquele momento.

Depois do segundo turno da eleição presidencial, os contratos futuros de juros passaram por forte ajuste. O movimento refletiu a desmontagem de posições montadas antes da votação e a busca por proteção contra um cenário de maior incerteza fiscal. Os preços desses contratos subiram, o que elevou as taxas implícitas e mudou as probabilidades para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária, o Copom.

ReuniãoCenário com maior probabilidadeProbabilidade em 26/10
NovembroSelic mantida em 13,75%77,41%
NovembroAlta para 14,00%22,59%
DezembroAlta para 14,50%77,39%
DezembroSelic em 14,00%13,70%
DezembroSelic em 14,25%8,91%

Dezembro concentra a maior mudança

Para dezembro, a leitura implícita ficou ainda mais dura. O cenário de maior probabilidade passou a ser uma Selic de 14,50%, com 77,39%. Outros 13,70% apontavam para 14% e 8,91% para 14,25%.

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Em 19 de outubro, a distribuição era muito diferente: 63,26% das apostas indicavam 13,50% ao ano no fim da reunião de dezembro. A comparação mostra que o mercado não apenas retirou do preço uma expectativa de corte como passou a embutir uma alta relevante em um intervalo curto.

Essas probabilidades não são uma previsão oficial do Banco Central. Elas são estimativas obtidas a partir dos preços negociados no mercado de juros. Mudam ao longo do dia e podem reagir a novos dados de inflação, atividade, câmbio, dívida pública ou declarações de autoridades.

Por que o câmbio pesa na conta

O dólar fechou esta segunda-feira a R$ 5,4029, com valorização superior a 8%. Uma alta persistente da moeda pode encarecer produtos importados e matérias-primas cotadas no exterior. O efeito sobre a inflação não é automático nem uniforme, mas amplia o risco monitorado pelo Banco Central.

Ao mesmo tempo, investidores passaram a cobrar um prêmio maior para financiar o governo em prazos mais longos. Isso aparece na abertura da curva de juros e pode encarecer o crédito para empresas e famílias antes mesmo de uma decisão do Copom. Financiamentos, empréstimos e emissões de dívida costumam reagir às taxas de mercado, não apenas à Selic corrente.

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O Copom ainda decide com dados

A próxima reunião está marcada para 3 e 4 de novembro. O comitê avaliará o comportamento da inflação, as expectativas, o nível de atividade, o câmbio e a situação fiscal. A taxa atual é de 13,75% ao ano.

O salto das probabilidades mostra uma mudança na avaliação dos investidores, mas não obriga o Banco Central a seguir o mercado. O Copom pode manter a taxa, elevar os juros ou adotar uma comunicação mais dura sem alterar imediatamente a Selic. A decisão dependerá do conjunto de informações disponível até a reunião.

Como isso chega ao bolso

Juros mais altos por mais tempo favorecem aplicações pós-fixadas ligadas ao CDI, mas aumentam o custo do crédito e pressionam empresas dependentes de financiamento. Ações de varejo, construção e companhias muito endividadas tendem a sofrer mais quando a curva abre, porque parte maior do valor esperado fica distante no tempo e é descontada por uma taxa superior.

Para o consumidor, o efeito pode aparecer nas taxas de empréstimos, parcelamentos e financiamentos. Para o investidor, a principal cautela é entender que a probabilidade de hoje não é garantia da decisão de novembro ou dezembro. O preço pode mudar rapidamente se o governo apresentar medidas fiscais, se o câmbio devolver parte da alta ou se os próximos indicadores de inflação surpreenderem.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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