PF mira quadrilha que desviou R$ 710 milhões via Pix e lavou dinheiro com criptomoedas
A Polícia Federal deflagrou a Operação Cofre Digital contra a quadrilha que desviou R$ 710 milhões de instituições financeiras. Entenda como o golpe funcionava.
Ação conjunta do MPSP e da investiga um dos maiores ataques cibernéticos ao sistema financeiro do Brasil, ocorrido em agosto de 2025. Suspeitos usavam empresas de fachada e criptomoedas para ocultar o dinheiro.
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do núcleo especializado CyberGAECO, deflagraram nesta quinta-feira (12/3) a Operação Cofre Digital. O alvo da ação são os suspeitos de envolvimento em um dos maiores ataques cibernéticos já registrados contra o sistema financeiro nacional, que resultou no desvio de mais de R$ 710 milhões via Pix.
O crime ocorreu em agosto de 2025, atingindo duas instituições financeiras. Segundo o site Metrópoles, o ataque teve como porta de entrada os sistemas da Sinqia, empresa que atua como Provedora de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). Essas provedoras funcionam como uma ponte técnica conectando bancos e fintechs à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN).
Instituições afetadas e contas de liquidação
Na época do ataque, a Sinqia confirmou a detecção de atividades suspeitas no ambiente Pix. Entre as instituições impactadas pelo vazamento de valores estavam o banco HSBC e a Sociedade de Crédito Direto (SCD) Artta. O valor total do roubo era incerto, com estimativas de mercado variando entre R$ 420 milhões e R$ 1 bilhão, mas as autoridades agora confirmam o montante de R$ 710 milhões.
Apesar da gravidade da invasão, tanto o HSBC quanto a Artta garantiram que os fundos e as contas dos clientes finais não foram afetados. O desvio ocorreu em contas de liquidação interbancária mantidas junto ao Banco Central, utilizadas exclusivamente para transferências entre as próprias instituições.
Criptomoedas e lavagem de dinheiro
A atual fase da investigação detalhou o modo de operação dos criminosos para "limpar" os recursos roubados. A quadrilha utilizava uma rede de empresas de fachada para converter as cifras milionárias em . O objetivo da manobra era quebrar o rastro do dinheiro desviado do Pix, permitindo a sua reinserção na economia formal com a aparência de legalidade.
Mandados e bloqueio de bens
Durante a Operação Cofre Digital, os agentes cumpriram ordens expedidas pela Vara Criminal Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo. Nos estados de São Paulo e Paraná, foram executados:
- Três mandados de prisão temporária;
- Cinco mandados de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o duro bloqueio de bens e valores dos investigados, atingindo quatro pessoas físicas e 28 pessoas jurídicas ligadas ao esquema, com um limite de confisco estabelecido em R$ 28 milhões para cada um dos alvos.
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