A Meta faturou US$ 64,601 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 26% sobre um ano antes, impulsionada pela publicidade em suas plataformas. Para quem acompanha o BDR M1TA34, o balanço combina expansão forte do negócio principal com custos jurídicos e investimentos elevados em tecnologia. A companhia também anunciou uma nova classe de ações sem voto e projetou receita de até US$ 76 bilhões para o quarto trimestre.
Os principais números da Meta
O lucro líquido chegou a US$ 9,860 bilhões, avanço de 264% na comparação anual. Essa taxa, porém, precisa ser lida com cuidado: a base de 2025 foi reduzida por uma despesa tributária extraordinária. O lucro por ação diluído passou de US$ 1,05 para US$ 3,83.
Ao mesmo tempo, o lucro operacional caiu 37%, para US$ 12,988 bilhões, e a margem operacional recuou de 40% para 20%. A principal explicação é uma cobrança de US$ 9,89 bilhões relacionada ao acordo com procuradores-gerais de 52 jurisdições dos Estados Unidos em processos sobre saúde mental de adolescentes e redes sociais.
| Indicador | 3º tri de 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita | US$ 64,601 bilhões | +26% |
| Custos e despesas | US$ 51,613 bilhões | +68% |
| Lucro operacional | US$ 12,988 bilhões | -37% |
| Margem operacional | 20% | -20 p.p. |
| Lucro líquido | US$ 9,860 bilhões | +264% |
| Lucro por ação diluído | US$ 3,83 | +265% |
Sem a cobrança do acordo, a empresa calcula que o lucro operacional teria sido de US$ 22,878 bilhões e o lucro por ação, de US$ 7,40. A comparação ajustada ajuda a separar o desempenho do negócio do custo pontual, mas o gasto jurídico é real e reduziu o resultado reportado e o caixa do período.
Publicidade continuou crescendo
A família de aplicativos da Meta inclui Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp. O número médio de pessoas ativas diariamente nesses serviços chegou a 3,64 bilhões em setembro, crescimento de 3% em um ano.
As impressões de anúncios aumentaram 10%, enquanto o preço médio por anúncio subiu 14%. Os dois movimentos explicam por que a receita avançou mais rapidamente que o número de usuários. A companhia conseguiu mostrar mais publicidade e cobrar mais por ela.
“Nossos investimentos estão dando resultado, o negócio principal está forte e vemos velocidade em todas as áreas.” — Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo da Meta
A administração atribui parte da melhora a sistemas de inteligência artificial usados para recomendar conteúdo, elevar o engajamento e tornar a publicidade mais eficiente. Na prática, modelos melhores podem manter o usuário por mais tempo e ajudar anunciantes a encontrar públicos com maior probabilidade de compra.
Investimento recorde consumiu o fluxo de caixa
Os investimentos em bens de capital, incluindo pagamentos de arrendamentos financeiros, somaram US$ 34,91 bilhões no trimestre. Esse volume ajudou a levar o fluxo de caixa livre a US$ 2,12 bilhões negativos, apesar de a operação ter gerado US$ 32,79 bilhões em caixa.
A diferença mostra o tamanho da construção de data centers, compra de chips e expansão da capacidade computacional. A Meta terminou setembro com US$ 82,45 bilhões em caixa, equivalentes e títulos negociáveis, mas também com dívida de longo prazo de US$ 80,92 bilhões.
Para 2026, a companhia espera investimentos entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões. A faixa anterior começava em US$ 130 bilhões. A revisão não elevou o teto, mas estreitou a projeção perto da parte mais alta.
O investidor precisa observar dois efeitos. A infraestrutura pode aumentar receitas futuras e melhorar os produtos, mas gera desembolso agora. Se a monetização demorar, o retorno sobre o capital tende a cair; se os novos serviços e a publicidade crescerem mais rápido, o investimento pode ampliar a vantagem competitiva.
Receita pode chegar a US$ 76 bilhões no quarto trimestre
A previsão da Meta para os últimos três meses do ano é de receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. A estimativa considera um efeito cambial negativo de aproximadamente um ponto percentual no crescimento anual.
As despesas totais de 2026 devem ficar entre US$ 175 bilhões e US$ 179 bilhões, faixa que já inclui a cobrança jurídica de US$ 9,89 bilhões. Excluído esse item, a empresa ainda espera lucro operacional anual acima do registrado em 2025.
A Meta sinalizou que continuará investindo de forma agressiva em 2027. A administração não forneceu uma projeção completa de receita para o próximo ano, mas disse esperar crescimento forte apoiado pelos ganhos de IA no negócio atual e por novos produtos.
Reality Labs ainda perde bilhões
A divisão Reality Labs reúne projetos de realidade virtual e aumentada. A Meta agora prevê prejuízo operacional entre US$ 18 bilhões e US$ 19 bilhões para o segmento em 2026, menor que a perda de 2025.
Para 2027, a expectativa é reduzir o prejuízo para cerca de US$ 15 bilhões, à medida que recursos são direcionados a outras prioridades, principalmente inteligência artificial. Mesmo com a melhora esperada, a unidade continuará consumindo uma parcela importante do resultado produzido pelos aplicativos.
Essa é uma das principais tensões do balanço. A publicidade gera caixa em escala global, enquanto a companhia financia projetos cujo retorno pode levar anos. A redução das perdas ajuda, mas não elimina o risco de execução.
Nova ação sem voto começa em 2027
O conselho aprovou a criação de uma ação Classe C, negociada publicamente e sem direito a voto, com vigência prevista para janeiro de 2027. A Meta pretende distribuir uma ação Classe C para cada papel Classe A ou Classe B existente.
Depois da distribuição, a empresa espera que o preço da ação Classe A reflita um desdobramento de dois para um. O poder de voto de cada acionista não mudará. A nova classe poderá ser usada para remuneração de funcionários, aquisições e captação de recursos sem diluir na mesma proporção o controle de voto de Mark Zuckerberg.
Para o detentor de M1TA34, os efeitos operacionais dependerão do tratamento definido para o programa de BDRs e das comunicações da depositária. A operação não deve ser interpretada como ganho imediato de 100%: quando o número de ações dobra, o preço tende a se ajustar.
O que importa para o investidor
O trimestre confirmou que a publicidade da Meta continua crescendo em ritmo alto. O ponto de atenção está no dinheiro necessário para sustentar a corrida por inteligência artificial, nos riscos jurídicos e na capacidade de reduzir as perdas da Reality Labs.
Os próximos balanços devem mostrar se o investimento pesado melhora receita e eficiência mais rapidamente do que aumenta depreciação e despesas. A projeção de até US$ 76 bilhões indica confiança na demanda, mas o fluxo de caixa livre negativo lembra que crescimento e geração de caixa não caminharam juntos neste trimestre.