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Millennium, de US$ 92 bi, abre escritório em SP com ex-JPMorgan

Millennium, gestora de US$ 92 bi do bilionário Izzy Englander, abre operação em São Paulo com Fabio Akira, ex-JPMorgan, no comando.

EQ
Equipe Analistas Equipe Editorial
Publicado em: 13/07/2026
Quem é Izzy Englander, bilionário que traz gestora ao Brasil?

Uma das maiores plataformas de hedge funds do mundo abre escritório em São Paulo e contrata ex-economista-chefe do JPMorgan no país para comandar a operação.

A Millennium Management, gestora do bilionário americano Izzy Englander com cerca de US$ 92 bilhões sob gestão, está montando operação no Brasil, segundo apuração da Bloomberg. Para liderar o escritório de São Paulo, a casa contratou Fabio Akira Hashizume, ex-economista-chefe do JPMorgan no Brasil.

Fundada por Englander em 1989, em Nova York, com apenas US$ 35 milhões de capital inicial, a Millennium se transformou em uma das maiores plataformas de hedge funds multiestratégia do planeta — e tem um histórico raro no setor: apenas um ano de perda desde a fundação, em 2008, no auge da crise financeira global.

Quem é Izzy Englander e o que faz a Millennium?

Aos 77 anos, Englander tem patrimônio estimado em cerca de US$ 26 bilhões, o que o coloca entre as 100 maiores fortunas do mundo. Em novembro do ano passado, ele vendeu 15% de participação na gestora em uma transação que avaliou o negócio em cerca de US$ 14 bilhões e abriu o capital a investidores externos pela primeira vez.

Hoje a Millennium reúne cerca de 6.600 funcionários em 18 escritórios principais nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Hedge funds como o dela operam com poucas amarras regulatórias e liberdade para atuar em praticamente qualquer ativo — ações, títulos, moedas, commodities, derivativos e até criptomoedas —, mas não são acessíveis ao investidor comum: aceitam apenas institucionais e investidores qualificados, com aportes mínimos elevados.

Entre as posições em ações americanas divulgadas ao regulador dos EUA, a gestora aparece comprada em:

  • ETFs de índices, como iShares Core S&P 500, iShares Russell 2000 e Invesco QQQ;
  • gigantes de tecnologia, como Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla;
  • ETF de Bitcoin (iShares Bitcoin Trust).

Essas posições, porém, são só a ponta visível: a operação global também envolve renda fixa, câmbio, commodities e arbitragem estatística.

Time em formação e licenças em andamento

De acordo com as informações obtidas pela Bloomberg, além de Hashizume, a Millennium está transferindo profissionais de outras praças: o gestor Rubens Machado deve se mudar de Londres para o Brasil nos próximos meses, mantendo sua equipe atual de investimentos, e o estrategista Otavio Teixeira já foi realocado dos Estados Unidos. A gestora corre atrás das licenças locais necessárias para operar no país.

Procurados, a Millennium e Hashizume não comentaram; Machado e Teixeira não responderam de imediato.

O que fica no radar

A chegada da Millennium reforça um movimento de gestoras globais rumo ao Brasil: a americana Schonfeld abriu escritório em São Paulo no ano passado, sob comando de André Laport, ex-sócio do Goldman Sachs. Com dois pesos-pesados de Wall Street disputando talentos locais, a tendência é de aquecimento na competição por gestores e analistas brasileiros — e de mais capital estrangeiro circulando no mercado doméstico.

Com informações da Bloomberg e do InvestNews.

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