A Petrobras assinou um contrato para comprar 800 mil toneladas de gás natural liquefeito por ano da Cheniere Marketing, dos Estados Unidos, durante 22 anos. O acordo amplia a parcela de suprimento contratada no longo prazo e reduz a exposição da estatal ao mercado de entregas imediatas.
A Cheniere Marketing é subsidiária da Cheniere Energy, uma das maiores produtoras e exportadoras de GNL dos Estados Unidos. A empresa opera os terminais de Sabine Pass, na Louisiana, e Corpus Christi, no Texas, que juntos têm capacidade aproximada de 56 milhões de toneladas anuais.
Quanto gás está previsto no contrato
O volume contratado é de 0,8 milhão de toneladas por ano. Se a quantidade anual for entregue integralmente durante todo o período, o acordo corresponderá a até 17,6 milhões de toneladas ao longo de 22 anos. Essa multiplicação representa a escala nominal do contrato, não uma estimativa de gasto.
A Petrobras não divulgou o valor financeiro, a fórmula de preço, garantias, condições de flexibilidade ou a data de início das entregas no comunicado consultado. Sem esses elementos, não é possível calcular o impacto no caixa nem afirmar se o gás será mais barato do que compras futuras no mercado de curto prazo.
Por que a Petrobras fecha contratos tão longos
O GNL é resfriado até se tornar líquido e ocupar uma fração do volume original. Isso permite o transporte em navios entre países que não estão conectados por gasodutos.
A Petrobras utiliza o produto para complementar sua oferta de gás e atender contratos no Brasil. A demanda pode vir de termelétricas, indústrias, distribuidoras e outros consumidores. Em momentos de escassez ou forte procura global, o preço de cargas disponíveis para entrega rápida pode subir de maneira acentuada.
Contratos de longo prazo aumentam a previsibilidade de suprimento. Em contrapartida, criam compromissos que atravessam vários ciclos econômicos e energéticos. O resultado depende das cláusulas de preço e flexibilidade, que não foram detalhadas.
Segundo acordo em cerca de um mês
No fim de agosto, a Petrobras havia assinado outro contrato para comprar 800 mil toneladas anuais de GNL da Sempra Infrastructure por 20 anos. O suprimento virá do terminal de Port Arthur, no Texas.
Considerados os volumes anuais anunciados, os dois contratos somam 1,6 milhão de toneladas de GNL por ano. Os períodos e fornecedores são diferentes, e a soma não significa que todas as entregas começarão ao mesmo tempo.
A estratégia internacional da companhia também inclui exploração e cooperação. O Analistas mostrou o acordo da Petrobras para estudar petróleo e gás em Moçambique e os oito blocos assumidos pela estatal na Costa do Marfim.
O que muda para PETR3 e PETR4
O contrato reforça a segurança do portfólio de gás, mas não permite projetar automaticamente lucro maior ou menor. Trata-se de uma obrigação de compra cujo efeito econômico dependerá do preço contratado, da demanda brasileira, do câmbio, do custo de transporte e do comportamento do mercado global de GNL.
Para investidores de PETR3 e PETR4, os próximos pontos relevantes serão a divulgação das condições econômicas, o cronograma de entrega e a evolução da demanda de gás no país. A notícia, isoladamente, não altera a política de dividendos da estatal.
A reportagem foi apurada a partir do comunicado oficial da Petrobras publicado em 29 de setembro e da cobertura da Agência Brasil. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.