O petróleo caiu para menos de US$ 100 por barril nesta terça-feira (3), depois de sinais de que o Irã poderia avançar na reabertura do Estreito de Ormuz e retomar negociações nucleares. A perspectiva reduziu parte do prêmio de risco acumulado durante o conflito. O movimento pressionou empresas ligadas ao petróleo e aumentou a volatilidade das commodities.
Por que Ormuz importa
O estreito é uma rota estratégica para embarques de petróleo e gás do Golfo. Qualquer ameaça à navegação aumenta o temor de falta de oferta e encarece contratos futuros, seguros e fretes marítimos.
Quando o risco de interrupção diminui, parte desse prêmio pode desaparecer rapidamente. O WTI chegou à região de US$ 97 durante o dia, com queda próxima de 4% em algumas referências de mercado.
Efeito no Brasil
Preços menores tendem a pressionar as receitas de produtoras, como Petrobras, PRIO e PetroReconcavo. O impacto em reais depende também do dólar, que se valorizou nesta terça-feira.
Para consumidores, uma queda de um dia não significa redução imediata da gasolina ou do diesel. Política comercial, impostos, mistura de biocombustíveis, estoques e margens de distribuição influenciam o preço final.
Mercado continuará volátil
As negociações diplomáticas ainda precisam produzir medidas concretas. Uma mudança no conflito ou nas condições de navegação pode recolocar o prêmio rapidamente nas cotações.
Além da geopolítica, investidores observam produção da Opep+, estoques americanos e demanda global. O recuo abaixo de US$ 100 é relevante porque altera expectativas de inflação e juros, mas sua duração será mais importante do que o nível registrado em uma única sessão.