As ações da Petrobras recuaram com força nesta terça-feira (3) e ajudaram a puxar o Ibovespa para baixo. O movimento ocorreu enquanto o petróleo caiu no exterior diante da perspectiva de redução das tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz. A queda afeta diretamente as expectativas para a receita da Petrobras, embora o efeito final dependa da duração do movimento.
Petróleo devolve prêmio de risco
O barril havia acumulado valorização com o conflito no Oriente Médio e o temor de interrupções no transporte marítimo. Sinais de retomada de negociações e possível normalização das rotas reduziram parte desse prêmio, levando o WTI para perto de US$ 97 durante o dia.
Para uma produtora como a Petrobras, preços menores tendem a reduzir a receita por barril exportado. Isso não significa que o lucro se mova na mesma proporção: câmbio, volume produzido, custo de extração, refino e política comercial também entram na conta.
Produção segue como contraponto
A companhia divulgou recentemente produção própria recorde de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre, alta anual de 11,7%. O avanço veio do aumento de eficiência e da entrada ou aceleração de plataformas nos campos de Búzios e Mero.
Esse crescimento operacional ajuda a compensar parte de uma eventual queda de preços, porque amplia o volume vendido. O resultado financeiro, porém, dependerá da combinação entre preço médio realizado, produção e custos.
O que o investidor deve observar
Além das cotações internacionais, o mercado acompanha o câmbio e a política de dividendos. O real mais fraco pode suavizar em reais a queda do petróleo negociado em dólares. A reação desta terça reflete uma mudança rápida de preço, mas a tese de investimento exige observar geração de caixa e investimentos ao longo de vários trimestres.