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Opinião

Pix é instantâneo, mas dinheiro entre países ainda leva dias

Pagamentos domésticos avançaram na América Latina, mas transferências internacionais ainda enfrentam intermediários, câmbio e pressão sobre o caixa.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Catherine Kaupert, head da OpenFX para a América Latina, em retrato ao ar livre
Catherine Kaupert, head da OpenFX para a América Latina. Foto: Divulgação/OpenFX

A América Latina tornou os pagamentos domésticos quase instantâneos, com o Pix no Brasil e o SPEI no México, mas o dinheiro ainda pode levar dias para cruzar uma fronteira. Neste artigo de opinião, Catherine Kaupert, head da OpenFX para a região, explica por que a conexão entre sistemas locais se tornou um desafio para a economia e para empresas expostas ao dólar.

Transparência editorial: Catherine Kaupert é head da OpenFX para a América Latina. As opiniões são da autora. Dados operacionais e financeiros da OpenFX citados no texto foram fornecidos pela própria companhia. O material recebido pela redação foi editado e os dados sobre comércio regional foram conferidos em publicação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Por Catherine Kaupert*

O avanço dentro dos países

O Brasil mostrou como o dinheiro instantâneo pode mudar hábitos. O Pix passou a fazer parte da rotina de pessoas e empresas, enquanto o SPEI cumpre papel semelhante no México. Dentro de cada país, pagar ou transferir se tornou uma operação simples, disponível a qualquer hora e concluída em poucos segundos.

Esse avanço, porém, ainda não se repete com a mesma eficiência quando o dinheiro precisa sair de um país e chegar a outro. Uma empresa brasileira que paga um fornecedor na Colômbia, por exemplo, pode enfrentar bancos correspondentes, conversão de moeda, verificações regulatórias e horários diferentes de funcionamento. Cada etapa acrescenta custo, tempo e incerteza sobre a liquidação.

OperaçãoComo costuma funcionar
Pagamento doméstico por Pix ou SPEILiquidação em segundos, na moeda local e em uma infraestrutura nacional
Transferência internacional tradicionalPode envolver câmbio, bancos correspondentes, regras de mais de um país e prazo de horas ou dias

O atraso aparece na fronteira

Passei boa parte da minha carreira ajudando empresas a operar em vários mercados da América Latina, primeiro na Rappi e depois no time fundador da Yuno. Em cada expansão, o maior obstáculo nem sempre era encontrar clientes ou adaptar o produto. Muitas vezes, era movimentar dinheiro entre países com rapidez, custo previsível e segurança sobre a chegada dos recursos.

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O problema ficou mais relevante com a expansão do comércio regional. Segundo o BID, as exportações de bens da América Latina e do Caribe cresceram 15,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O resultado deu continuidade à recuperação observada no ano anterior, quando as vendas externas da região avançaram 7,8%.

Mais comércio significa mais pagamentos entre moedas e jurisdições. Se a infraestrutura financeira não acompanha esse ritmo, empresas que vendem ou compram no exterior acabam administrando prazos maiores, necessidade de caixa adicional e exposição às oscilações cambiais enquanto esperam a liquidação.

Capital parado tem custo

O tempo de uma transferência não é apenas um detalhe operacional. Dinheiro em trânsito não paga fornecedor, não financia estoque e não cobre a próxima remessa. Para uma plataforma que atende milhares de lojistas, pequenas esperas acumuladas podem representar um volume relevante de capital sem uso.

Essa perda de velocidade afeta sobretudo negócios que operam com margens apertadas ou precisam girar caixa rapidamente. Quanto mais tempo o recurso permanece preso no sistema, menor é a capacidade da empresa de reinvestir na operação. O impacto pode aparecer no preço final, na necessidade de crédito ou na decisão de adiar uma expansão.

Liquidez local faz parte da infraestrutura

Resolver essa diferença não depende apenas de criar outra via rápida dentro de um país. O desafio é conectar a liquidez disponível em cada mercado às moedas e aos sistemas locais de pagamento. Isso exige conciliar câmbio, regras de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro, disponibilidade de recursos e integração técnica.

Quando essas partes funcionam juntas, uma instituição pode receber recursos em um mercado e entregar a moeda local em outro com menos etapas. Para o cliente, a experiência parece simples. Por trás dela, porém, existe uma rede que precisa prever demanda, manter saldos disponíveis e cumprir as exigências de cada jurisdição.

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O que a OpenFX informa sobre sua operação

Na OpenFX, estamos construindo uma infraestrutura voltada a provedores de pagamentos e instituições financeiras, e não um serviço direto ao consumidor. A empresa informa que sua plataforma suporta transações em mais de 40 moedas, entre elas real, peso mexicano, dólar e euro, e que mais de 90% das operações são liquidadas em menos de 60 minutos.

Esses números são indicadores operacionais divulgados pela própria companhia e não uma comparação independente de todo o mercado. A OpenFX também afirma processar mais de US$ 45 bilhões em volume anualizado. Em 2026, anunciou uma rodada Série A de US$ 94 milhões, com participação de Accel, Atomico, Lightspeed Faction, M13, Northzone e Pantera.

A velocidade, sozinha, não resolve o problema. A liquidação depende de recursos disponíveis no local e no momento certos, boa execução de câmbio e conexão com sistemas nacionais que têm regras próprias. Sem essas três condições, uma transferência pode ser rápida na interface e ainda assim demorar na etapa financeira.

O próximo passo da América Latina

A região já provou que consegue modernizar a circulação do dinheiro dentro de seus mercados. O próximo passo é aproximar esses sistemas nacionais, sem ignorar diferenças regulatórias e cambiais. Isso interessa a exportadores, plataformas digitais, empresas de pagamentos e negócios que compram insumos no exterior.

Capital disponível continua sendo importante, mas a capacidade de movimentá-lo com previsibilidade passou a ter peso semelhante. Em uma economia regional mais conectada, reduzir o tempo entre o envio e a liquidação pode liberar caixa, diminuir custos e permitir que empresas cresçam sem reconstruir toda a infraestrutura financeira a cada novo país.

*Catherine Kaupert é head da OpenFX para a América Latina e foi integrante dos times da Rappi e da Yuno.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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