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Romi lucra R$ 42,7 mi, mas crédito muda leitura

Lucro contábil da Romi cresce 56,1%, mas crédito tributário responde pela maior parte do resultado; receita e EBITDA ajustado recuam no 3T26.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Colagem editorial com torno industrial, fábrica, documento tributário e moedas representando o balanço da Romi
Colagem editorial sobre o resultado da Romi no terceiro trimestre de 2026. Imagem gerada por IA / Analistas

A Romi (ROMI3) registrou lucro líquido de R$ 42,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta anual de 56,1%. O número parece forte, mas o balanço divulgado após o fechamento de terça-feira mostra que um crédito tributário respondeu pela maior parte do resultado, enquanto receita e indicadores operacionais recuaram — diferença importante para quem acompanha as ações da fabricante de máquinas.

Os principais números do trimestre

Indicador3T26Variação anual
Lucro líquido contábilR$ 42,7 milhões+56,1%
Lucro líquido ajustadoR$ 7,0 milhões-74,6%
Receita líquidaR$ 257,1 milhões-26,4%
EBITDA reportadoR$ 28,8 milhões-24,0%
EBITDA ajustadoR$ 10,2 milhões-73,2%
Margem EBITDA ajustada4,0%—
Entrada de pedidosR$ 421,5 milhões+8,5%

A comparação entre lucro contábil e lucro ajustado é o centro da leitura. O primeiro inclui todos os efeitos reconhecidos nas demonstrações. O segundo retira itens que a companhia considera não recorrentes para mostrar uma aproximação do desempenho operacional do período.

Crédito tributário teve efeito de R$ 35,7 milhões

A Romi reconheceu R$ 46,8 milhões em créditos relacionados a processos previdenciários com decisões definitivas favoráveis. Depois dos efeitos tributários, o impacto positivo sobre o lucro líquido foi de R$ 35,7 milhões.

O reconhecimento contábil não significa que o dinheiro entrou imediatamente no caixa. Os créditos ainda precisam ser habilitados perante a Receita Federal antes de serem utilizados para compensar tributos devidos.

Sem esse efeito e outros ajustes apresentados pela companhia, o lucro ficou em R$ 7 milhões. Isso representa queda de 74,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e revela uma operação mais fraca do que a linha final do balanço sugere.

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Receita e EBITDA recuaram

A receita líquida caiu para R$ 257,1 milhões. O EBITDA reportado diminuiu 24%, para R$ 28,8 milhões, enquanto o EBITDA ajustado recuou para R$ 10,2 milhões. A margem EBITDA ajustada ficou em 4%.

A unidade de Máquinas Romi registrou receita de R$ 183 milhões, queda de 7,5%. As condições restritivas de crédito, os juros elevados e a cautela das empresas com novos investimentos continuam afetando a demanda por equipamentos industriais.

O balanço também mostrou dívida líquida de R$ 101,6 milhões e investimentos de R$ 54,6 milhões no trimestre, redução anual de 6,2% no capex.

Pedidos cresceram e apontam receita futura

Nem todos os dados foram negativos. A entrada consolidada de pedidos alcançou R$ 421,5 milhões, alta de 8,5%. A subsidiária alemã B+W foi o principal destaque, com aumento de 41,5% na carteira de pedidos na comparação anual.

A empresa também informou a assinatura de um contrato de aproximadamente R$ 200 milhões com uma corporação global para fornecer máquinas industriais de alta precisão. As entregas estão previstas entre 2027 e 2029.

Pedidos não entram integralmente como receita no momento da assinatura. Eles precisam ser produzidos, entregues e reconhecidos conforme os contratos. Cancelamentos, prazos, custos e execução podem alterar a rentabilidade até a conclusão.

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Romi aprovou R$ 0,28 por ação em JCP

O conselho aprovou R$ 26,1 milhões em juros sobre capital próprio, equivalentes a R$ 0,28 bruto por ação. O pagamento está previsto até 31 de dezembro de 2027, conforme a deliberação divulgada pela companhia.

O valor de JCP sofre retenção de Imposto de Renda na fonte para investidores sujeitos à cobrança. O direito ao provento e a data-base devem ser observados no aviso aos acionistas.

O que acompanhar nos próximos resultados

O principal teste será a conversão da carteira de pedidos em vendas com margem. Como as encomendas cresceram enquanto a receita caiu, os próximos trimestres mostrarão se houve apenas diferença entre o momento da contratação e o da entrega ou se a demanda corrente continua fraca.

Também será necessário separar novamente efeitos tributários do resultado operacional. O crédito reconhecido no 3T26 melhora o lucro contábil deste período, mas não deve ser projetado como uma fonte recorrente de ganhos.

O trimestre da Romi combina três sinais: lucro contábil elevado por um benefício tributário, enfraquecimento da operação corrente e melhora da entrada de pedidos. Para os próximos resultados, será necessário verificar se a carteira se transforma em receita e margem, e não apenas em volume contratado.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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