A Bolsa emendou o quinto pregão seguido de queda nesta terça, pressionada pelo tom duro da ata do Banco Central, por uma inflação um pouco acima do esperado e pela alta do petróleo. O dólar inverteu o sinal e voltou a subir.
O Ibovespa teve um dia difícil nesta terça-feira (11). Depois de abrir perto da estabilidade, o índice virou para forte queda ao longo da manhã, chegando a recuar cerca de 1,9% e a testar a casa dos 168 mil pontos, no quinto pregão consecutivo de baixa. O movimento acompanhou o clima de cautela no exterior e a leitura negativa dos dados domésticos.
No câmbio, o dólar acompanhou a piora do humor. A moeda americana, que chegou a cair pela manhã, inverteu o sinal e passou a subir, sendo negociada na faixa dos R$ 5,15, à espera de dados importantes de inflação nos Estados Unidos.
A ata dura do Copom pesou
O principal fator do dia veio do Banco Central. Na ata da reunião em que cortou a Selic para 14%, divulgada nesta terça, o Copom adotou um tom mais duro do que o mercado gostaria. A autoridade monetária fez alertas sobre os riscos de os preços do petróleo e os efeitos climáticos se espalharem pela economia, o que exigiria uma "reação firme", e demonstrou preocupação com uma inflação pressionada pela demanda e pelos estímulos do governo.
Na prática, a ata jogou um balde de água fria em quem apostava em cortes rápidos de juros à frente, e isso pesou sobre as ações. O quadro foi reforçado pelo dado de inflação: o IPCA de julho subiu 0,07%, um pouco acima do esperado, o que, apesar de baixo, adicionou um tempero de cautela ao dia.
Petróleo e balanços no radar
Somou-se a isso a pressão internacional. O preço do petróleo voltou a subir, com o Brent na casa dos US$ 90, o maior nível em semanas, diante das novas tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz. Petróleo mais caro reacende o temor de inflação global e deixa os investidores mais avessos ao risco.
No noticiário de empresas, os balanços seguiram movimentando as ações. A Natura (NATU3), por exemplo, repercutiu um resultado fraco, com forte queda no lucro do trimestre. Entre as gigantes, Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), que puxam o índice, oscilaram ao sabor das commodities.
O que fica no radar
A grande referência internacional vem amanhã: os Estados Unidos divulgam o CPI, seu principal índice de inflação, que pode dar novas pistas sobre os rumos dos juros por lá e mexer com os mercados no mundo todo.
Por aqui, os investidores seguem calibrando as apostas para a trajetória da Selic depois da ata mais cautelosa, de olho também no noticiário eleitoral, que começa a ganhar peso nas decisões. Depois de cinco quedas seguidas, o mercado busca um ponto de equilíbrio, mas o humor segue frágil.
Referente ao pregão de terça-feira, 11 de agosto de 2026. Os valores citados são intradiários (últimos dados disponíveis no fechamento desta edição) e devem ser atualizados com os números oficiais de fechamento.