A WEG (WEGE3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,665 bilhão, alta de 0,9% em um ano e de 6,8% diante do trimestre anterior. O balanço divulgado nesta quarta-feira, 21 de outubro, mostrou retomada da receita e expansão das vendas externas, mas também redução das margens, um ponto importante para quem acompanha as ações da fabricante de equipamentos elétricos.
Os principais números da WEG
| Indicador | 3T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 10,861 bilhões | +5,7% |
| Mercado interno | R$ 4,073 bilhões | +1,8% |
| Mercado externo | R$ 6,787 bilhões | +8,3% |
| EBITDA | R$ 2,345 bilhões | +3,1% |
| Margem EBITDA | 21,6% | -0,6 p.p. |
| Lucro líquido | R$ 1,665 bilhão | +0,9% |
| ROIC | 33,2% | +0,8 p.p. |
A receita ficou ligeiramente abaixo da estimativa de R$ 10,92 bilhões mencionada por analistas antes da divulgação. O lucro cresceu pouco na comparação anual, embora tenha avançado em relação ao segundo trimestre.
O EBITDA, que acompanha o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, aumentou para R$ 2,345 bilhões. A margem, porém, caiu de 22,2% para 21,6%. Isso significa que a operação cresceu, mas reteve uma parcela um pouco menor da receita.
Mercado externo atinge participação recorde
As vendas fora do Brasil responderam por 62,5% da receita total, maior participação já registrada pela WEG. Em dólares, a receita externa alcançou US$ 1,321 bilhão, avanço anual de 14,8%. Convertida para reais, a alta foi menor, de 8,3%.
A diferença vem do câmbio. O dólar médio utilizado pela companhia passou de R$ 5,45 no terceiro trimestre de 2025 para R$ 5,14 no mesmo período de 2026. Como cada dólar passou a valer menos reais, parte do crescimento internacional não apareceu com a mesma intensidade no balanço consolidado.
“No mercado externo apresentamos mais um trimestre de crescimento, atingindo 62,5% da receita total.” — Administração da WEG, release do 3T26
A América do Norte foi o principal destaque. A receita naquela região cresceu 31,1% em dólares e respondeu por 54,7% das vendas internacionais. A companhia citou demanda por transformadores, equipamentos para redes elétricas e geradores de energia de reserva usados em data centers.
Cobre e tarifas reduziram as margens
A margem bruta caiu de 33,6% para 32,9%. Segundo a WEG, o custo do cobre aumentou, as tarifas de importação nos Estados Unidos pressionaram a operação e as despesas com pessoal permaneceram elevadas devido à ampliação da capacidade produtiva.
No mercado brasileiro, projetos de transmissão e distribuição de energia e sistemas de automação ajudaram a receita. A geração solar distribuída permaneceu mais fraca, enquanto equipamentos industriais de ciclo curto ainda sentiram menor atividade e adiamento de investimentos.
Investimentos chegaram a R$ 905 milhões
A WEG investiu R$ 905,4 milhões no trimestre. Do total, 39,8% foram destinados ao Brasil e 60,2% às operações internacionais. Os projetos incluem fábricas de transformadores no México, Colômbia e Estados Unidos, produção de motores de alta tensão na China e expansão de instalações brasileiras.
O retorno sobre o capital investido ficou em 33,2%, acima dos 32,4% de um ano antes. A companhia terminou setembro com caixa líquido de R$ 2,54 bilhões, calculado a partir das disponibilidades e da dívida financeira.
O que acompanhar nos próximos balanços
Na WEG, a atenção estará na combinação entre crescimento externo e rentabilidade. A companhia ampliou fábricas para atender redes elétricas e data centers, mas essas unidades precisam ganhar escala para diluir custos. Também será importante observar o preço do cobre, o efeito das tarifas americanas e a conversão das vendas em dólar para reais.
Outro indicador relevante será a margem EBITDA. Se a receita internacional continuar avançando e a margem se estabilizar, os investimentos recentes terão começado a produzir o efeito esperado. Uma nova queda de margem, por outro lado, indicaria que custos e câmbio ainda estão consumindo parte do crescimento.
O balanço mostra uma WEG que voltou a crescer em receita, apoiada principalmente pelo exterior, mas enfrenta pressão de custos e câmbio. Os próximos trimestres indicarão se a expansão de capacidade e a demanda de redes elétricas e data centers serão suficientes para acelerar o lucro sem nova perda de margem.