A Sabesp registrou lucro líquido reportado de R$ 1,388 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 35,7% na comparação anual. SBSP3 e ações brasileiras.
A queda não significa que a operação encolheu na mesma proporção. O 3T25 teve ganho extraordinário de R$ 1,461 bilhão com precatórios. Sem efeitos não recorrentes, o lucro ajustado do trimestre foi de R$ 1,107 bilhão, recuo de 13,8%, enquanto o Ebitda ajustado cresceu.
Os principais números do trimestre
A receita líquida ajustada alcançou R$ 5,958 bilhões, alta de 9%. O Ebitda ajustado ficou em R$ 3,648 bilhões, avanço de 13,8%, com margem de 61,2%. O investimento totalizou R$ 4,528 bilhões no trimestre, também 13,8% acima de um ano antes.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro reportado | R$ 1,388 bilhão |
| Lucro ajustado | R$ 1,107 bilhão |
| Receita líquida ajustada | R$ 5,958 bilhões |
| Ebitda ajustado | R$ 3,648 bilhões |
| Investimentos | R$ 4,528 bilhões |
O preço médio contribuiu para a receita após reajuste tarifário de 10,6%, e o volume também ajudou. Parte do ganho foi reduzida pela mudança no mix de clientes e faixas de consumo. A incorporação da Emae adicionou receitas e resultado, por isso a empresa também apresenta medidas que facilitam a comparação.
Eficiência, tarifa e expansão da rede
A margem Ebitda ajustada subiu de 58,6% para 61,2%. Despesas de pessoal caíram 21,5%, para R$ 538 milhões, com redução do quadro, enquanto o custo de energia avançou 37,2%, para R$ 415 milhões. A provisão para clientes inadimplentes também aumentou.
O capex de R$ 4,528 bilhões mostra a intensidade do plano de universalização. Investimento expande redes, tratamento e segurança hídrica, mas consome caixa antes que todo o benefício apareça nas receitas. A carteira contratada de projetos somava R$ 44,2 bilhões.
O que explica o resultado
O lucro reportado caiu principalmente porque a base anterior continha um ganho difícil de repetir. A despesa financeira também aumentou com a dívida maior. Já o Ebitda ajustado capturou o avanço da receita e os ganhos operacionais antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Essa diferença entre lucro e Ebitda é especialmente relevante em saneamento. A empresa possui ativos de vida longa, investimento elevado e financiamento de longo prazo. O custo da dívida pode reduzir o resultado contábil mesmo quando a operação melhora.
A leitura para o investidor
A dívida líquida chegou a R$ 38,6 bilhões, equivalente a 2,7 vezes o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses. O caixa era de R$ 7,9 bilhões e, segundo a companhia, sobe para R$ 12,8 bilhões após financiamento assinado em outubro, cobrindo amortizações até 2029.
Para SBSP3, o mercado deve equilibrar três forças: eficiência operacional, execução dos investimentos e evolução da alavancagem. Investir mais pode ampliar o valor regulatório e a capacidade de atendimento, mas atrasos, custos maiores ou retorno abaixo do previsto prejudicam a tese.
Riscos e pontos de atenção
Energia mais cara, inadimplência, obras atrasadas e custo financeiro são riscos imediatos. A companhia também depende de regras tarifárias, metas de concessão e fiscalização dos serviços.
Comparações com o 3T25 exigem ajuste pelo precatório. Usar apenas a queda de 35,7% do lucro criaria uma impressão incompleta; olhar somente o Ebitda crescente também esconderia o peso dos juros e do investimento.
O que acompanhar agora
A apresentação de resultados deve explicar o cronograma do capex, a integração da Emae e o efeito das medidas de eficiência. Investidores também buscarão detalhes sobre a dívida e a cobertura das obrigações futuras.
Ao longo de 2027, os indicadores mais úteis serão expansão de ligações, perdas de água, qualidade do serviço, capex realizado e alavancagem. A combinação mostrará se a empresa consegue acelerar a universalização sem comprometer o balanço.
O 3T26 da Sabesp teve operação mais forte e investimento recorde, mas lucro afetado por base extraordinária e juros maiores. O resultado reforça que a análise de SBSP3 precisa juntar eficiência, regulação, obras e financiamento.