A Suzano teve lucro líquido de R$ 2,08 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 6% sobre o mesmo período do ano passado. SUZB3 e ações brasileiras.
O desempenho operacional ficou próximo das expectativas do mercado. O trimestre incorporou a Arbex e mostrou volumes maiores de celulose, enquanto preços realizados, custos, câmbio e endividamento seguiram como variáveis centrais para entender o balanço.
Os principais números do trimestre
O Ebitda ajustado alcançou R$ 5,67 bilhões, crescimento anual de 9%. No segmento de celulose, o resultado melhorou em relação ao segundo trimestre, apoiado por volume maior, redução do custo caixa e real mais fraco. Papel e embalagens tiveram desempenho sequencial mais fraco.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido | R$ 2,08 bilhões |
| Ebitda ajustado | R$ 5,67 bilhões |
| Crescimento anual do lucro | 6% |
| Crescimento anual do Ebitda | 9% |
| Dívida líquida aproximada | US$ 14,7 bilhões |
A margem do Ebitda ajustado ficou perto de 34%, abaixo dos 43% citados na comparação anual por fontes de mercado, em um trimestre com mudança de mix e consolidação de negócios. A administração revisou a referência de custo caixa de celulose de 2026 para aproximadamente R$ 825 por tonelada.
Celulose melhora; papel e embalagens recuam
A celulose vende em dólar e possui custos relevantes em reais. No trimestre, o volume aumentou 8% ante o 2T26 e o custo caixa recuou 2%, ajudando o Ebitda do segmento a crescer 12% na comparação sequencial, mesmo com preço realizado menor em dólar.
Em papel e embalagens, o Ebitda recuou 14% contra o trimestre anterior. Já o segmento de bens de consumo apresentou melhora com maiores volumes e custos menores em uma base comparável. A integração da Arbex amplia a escala, mas também exige acompanhamento de sinergias, capital e dívida.
O que explica o resultado
O lucro líquido de uma exportadora pode oscilar com câmbio, derivativos e marcação da dívida. Por isso, o Ebitda e a geração de caixa operacional ajudam a separar a atividade industrial de efeitos financeiros. Ainda assim, nenhuma medida isolada conta toda a história.
A Suzano é formadora relevante no mercado global de celulose, mas não controla o preço internacional. Oferta de novos projetos, demanda chinesa, estoques e ritmo da economia mundial alteram preços e volumes. O câmbio pode compensar ou ampliar esses movimentos na conversão para reais.
A leitura para o investidor
O resultado foi considerado em linha, o que reduz o elemento surpresa. O ponto mais importante para SUZB3 passa a ser a capacidade de transformar o Ebitda em caixa e reduzir o endividamento depois da aquisição da Arbex.
A dívida líquida estava próxima de US$ 14,7 bilhões, com alavancagem de cerca de 3,7 vezes o Ebitda em dólares segundo análise de mercado. A empresa indicou objetivo de encerrar 2026 abaixo de US$ 14 bilhões, considerando câmbio de referência. A meta exige outro trimestre robusto de geração de caixa.
Riscos e pontos de atenção
Queda do preço da celulose, valorização do real e aumento de custos de madeira, químicos, energia e logística podem pressionar margens. A integração de uma aquisição grande acrescenta risco de execução.
O endividamento aumenta a sensibilidade a juros e câmbio. Mesmo quando parte da dívida possui proteção, o investidor precisa acompanhar vencimentos, liquidez e disciplina de investimentos. Um Ebitda forte não significa, automaticamente, caixa livre elevado.
O que acompanhar agora
A teleconferência desta sexta-feira deve detalhar sinergias da Arbex, custo caixa, ritmo de vendas e plano de desalavancagem. Qualquer atualização sobre investimentos e política de capital também pode mover a ação.
Nos próximos resultados, a referência será a trajetória da dívida em dólares, o custo por tonelada e a geração de caixa. Esses três itens mostrarão se o aumento de escala está melhorando o retorno sem elevar o risco financeiro além do planejado.
A Suzano encerrou o 3T26 com lucro maior e operação de celulose mais eficiente. Para o acionista, porém, a tese continuará ligada ao ciclo global da commodity e à execução da desalavancagem após a expansão do grupo.