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Soja despenca com tombo do petróleo e lidera queda das commodities

O petróleo virou e caiu mais de 3% nesta terça, com a expectativa de acordo EUA-Irã, e arrastou soja, grãos e commodities num dia de forte aversão ao risco.

Foto de Muniz
Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Colagem com lavoura de soja, grãos a granel e painel de cotações da Bolsa de Chicago.
Colagem representa a cadeia da soja, da produção no campo à formação de preços no mercado internacional, com referência às cotações da Bolsa de Chicago. Imagem criada com inteligência artificial para o portal Analistas.com.br.

Em mais um dia dominado pela geopolítica, o petróleo virou e passou a cair mais de 3%, desencadeando uma onda de aversão ao risco. A soja liderou as perdas em Chicago, arrastando grãos e outras commodities agrícolas.

O mercado de commodities amanheceu nervoso nesta terça-feira (4). Depois de abrir em alta com as tensões no Oriente Médio, o petróleo mudou de direção e passou a recuar mais de 3%, desencadeando um movimento de fuga do risco que se espalhou pelos grãos e pelas chamadas soft commodities. A soja foi a mais atingida e liderou as baixas na Bolsa de Chicago.

Por volta das 9h35 (horário de Brasília), os contratos futuros de soja recuavam de forma expressiva, com o vencimento de novembro cotado a US$ 11,82 por bushel. Milho e trigo acompanharam o clima negativo, num ambiente de liquidação generalizada. Na contramão, as ações americanas e os metais preciosos, como o ouro, avançavam. É importante frisar que esses são valores da manhã, e o mercado de commodities pode oscilar bastante ao longo do dia.

Por que as commodities caíram?

O gatilho, mais uma vez, foi o petróleo. E o que fez o preço do barril virar de alta para queda foi a diplomacia. Renovaram-se as expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que reduz o temor de que o fornecimento global de petróleo seja interrompido. Com menos medo, o mercado tira o "prêmio de risco" embutido nos preços, e o petróleo recua.

Quando o petróleo cai forte, ele costuma arrastar as commodities agrícolas junto, por dois motivos. O primeiro é direto: o óleo de soja, por exemplo, é usado na produção de biocombustíveis e tem seu preço muito ligado ao do petróleo. O segundo é o clima de mercado: em dias de aversão ao risco, os grandes fundos de investimento vendem ativos considerados mais arriscados, e as commodities entram nessa conta. Foi o mesmo tipo de pressão que, no dia anterior, já havia derrubado o petróleo e pesado sobre a Bolsa brasileira.

O que isso significa para o Brasil?

Como o maior exportador de soja do mundo, o Brasil sente diretamente o que acontece em Chicago, a principal referência de preços do grão. Cotações mais baixas lá fora tendem a pressionar a receita do produtor brasileiro e das empresas do agronegócio.

Há, porém, dois amortecedores. O primeiro é o dólar: como a soja é negociada na moeda americana, um dólar mais forte ajuda a compensar parte da queda quando o valor é convertido para reais. O segundo é o mercado físico interno, que vinha firme no começo de agosto. Ainda assim, o pano de fundo preocupa: a safra dos Estados Unidos vem se desenvolvendo bem, com clima favorável, o que aumenta a oferta global e limita qualquer recuperação mais forte dos preços.

Ormuz no centro de tudo

Toda essa volatilidade tem um endereço: o Estreito de Ormuz, a rota marítima por onde passa boa parte do petróleo, do gás e até de fertilizantes do mundo. O local segue praticamente fechado e inseguro, com Estados Unidos e Irã disputando o controle, e a navegação por ali reduzida ao mínimo.

O problema é que as informações mudam a cada hora. De um lado, o presidente americano, Donald Trump, afirma que as negociações estão em andamento. De outro, autoridades iranianas negam qualquer conversa. Enquanto não há um acordo concreto, o mercado segue refém das manchetes, o que explica a montanha-russa nos preços do petróleo e, por tabela, das commodities agrícolas.

O que fica no radar

Nos próximos dias, o mercado agrícola deve continuar mais dependente da geopolítica e do humor financeiro global do que dos seus próprios fundamentos. A evolução, ou o fracasso, das negociações entre Estados Unidos e Irã será o principal fio condutor dos preços.

Para o produtor e para quem acompanha o agronegócio, o recado é de cautela e atenção redobrada. Em um cenário assim, tão sensível a notícias, os preços podem mudar de direção rapidamente, e o petróleo segue como o termômetro a ser observado de perto.

Foto de Muniz
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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