A Bolsa começou agosto no "zero a zero", num cabo de guerra entre a queda da Petrobras e a sustentação dos bancos. O petróleo despencou quase 5% com o alívio das tensões no Oriente Médio, e o dólar subiu levemente.
O Ibovespa abriu o mês de agosto praticamente de lado. Nesta segunda-feira (3), o principal índice da Bolsa brasileira fechou estável, com leve variação de -0,03%, aos 177.943 pontos, segundo dados preliminares. Foi um pregão de baixa liquidez e sem uma direção clara.
O dólar, por sua vez, ganhou força ante o real e subiu 0,33%, encerrando o dia cotado a R$ 5,087. O movimento aconteceu em um dia marcado pela forte queda do petróleo no exterior.
O cabo de guerra do dia
O que segurou o índice no zero a zero foi um verdadeiro cabo de guerra entre dois pesos-pesados. De um lado, as ações da Petrobras (PETR4) recuaram, pressionadas pelo tombo do petróleo. O barril do tipo Brent despencou cerca de 4,7%, cotado cerca de US$ 84, diante de um alívio nas tensões geopolíticas: o presidente americano, Donald Trump, sinalizou negociações com o Irã, reduzindo o temor de um conflito maior na região.
A Vale (VALE3) também pesou, caindo mais de 2,5% e ainda repercutindo seu balanço trimestral. Do outro lado, os grandes bancos deram sustentação ao índice e ajudaram a equilibrar as perdas das commodities. O resultado desse empate de forças foi um Ibovespa estável.
Juros em queda e o exterior animado
Nem tudo foi indefinição. Os juros futuros recuaram ao longo de toda a curva, ajudados por dois fatores: a queda do petróleo, que alivia a pressão sobre a inflação, e o boletim Focus divulgado pela manhã, em que o mercado cortou a projeção da inflação e passou a ver a Selic a 13,75%.
Lá fora, o clima foi de otimismo. As bolsas de Nova York subiram com força, com o índice Nasdaq avançando 2,13%, novamente embaladas pelo apetite por ações de tecnologia e inteligência artificial. O bom humor externo, no entanto, não foi suficiente para tirar a Bolsa brasileira da estabilidade.
O que fica no radar
O grande evento da semana é a decisão de juros do Copom, na quarta-feira (5). Depois do Focus mais otimista, o mercado vai acompanhar de perto se o Banco Central sinaliza o início de um ciclo de cortes na Selic.
A temporada de balanços também segue movimentada. Após o fechamento desta segunda, divulgaram resultados a BB Seguridade (BBSE3), a Marcopolo (POMO4) e a Isa Energia (ISAE4), que devem movimentar esses papéis no pregão de terça. Até a decisão dos juros, a tendência é de um mercado cauteloso, à espera do recado do Banco Central.
Fechamento referente à segunda-feira, 3 de agosto de 2026. Dados preliminares, sujeitos a revisão.