TAEE11: Taesa projeta alívio no Capex e reforço nos dividendos após lucro saltar 56%
A Taesa (TAEE11), uma das principais transmissoras de energia do país, sinalizou que o ano de 2026 marcará uma importante virada em sua estratégia fin...
A Taesa (TAEE11), uma das principais transmissoras de energia do país, sinalizou que o ano de 2026 marcará uma importante virada em sua estratégia financeira. Após atravessar um ciclo intenso de investimentos pesados, a companhia indicou, em teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, que haverá espaço para reforçar a remuneração ao acionista, impulsionada pela entrada em operação de novos projetos e uma consequente desalavancagem. O mercado reagiu de forma construtiva aos números regulatórios e às projeções da administração, consolidando o perfil defensivo da elétrica mesmo em ambientes macroeconômicos desafiadores.
Dividendos robustos e payout de 100% no radar
A remuneração ao acionista segue como prioridade da gestão. Durante a teleconferência, a diretora financeira e de RI, Cátia Pereira, reforçou o compromisso de manter a prática de distribuição alinhada à geração de caixa operacional. No quarto trimestre de 2025 (4T25), a Taesa anunciou R$ 313,1 milhões em dividendos, o que representa um payout de 100% sobre o lucro líquido regulatório do período. Analistas destacaram o yield atrativo da companhia:
- Itaú BBA: Apontou que os dividendos totais de 2025, somados aos JCP, implicam um dividend yield de cerca de 7,7%.
- BTG Pactual: Destacou que o yield apenas do trimestre foi de 2,1%, e que o total distribuído ao longo de 2025 somou R$ 1,124 bilhão.
Além disso, os investidores devem ficar atentos à assembleia pendente que deliberará sobre R$ 302 milhões em dividendos remanescentes, com data-base prevista para 29 de abril e pagamento em 27 de maio.
O "pivô" de 2026: Menos Capex e desalavancagem contratada
Se 2025 foi marcado por um Capex (investimento em capital) recorde de R$ 1,8 bilhão, que pressionou o balanço em um cenário de juros elevados, 2026 promete ser um ano de alívio operacional e financeiro. A administração da Taesa projeta uma redução no ritmo de investimentos, uma vez que a grande maioria dos grandes projetos em implantação deve ser concluída e entrar em operação ainda no primeiro semestre de 2026, com destaque para os empreendimentos Tangará e Ananaí. "A gente já tem uma desalavancagem contratada", afirmou Cátia Pereira. Com o fim das obras e o início da geração de receita desses projetos, a Taesa espera um processo visível de redução da dívida, com o nível de alavancagem retornando para a casa de 4 vezes o Ebitda regulatório. De acordo com o CEO, Rinaldo Pecchio, essa conclusão de obras deve levar o patamar de receita da transmissora "para um outro nível".
Crescimento com disciplina: Leilões e baterias no radar
Apesar da redução esperada no Capex, a Taesa não pretende estagnar. O diretor de negócios, Maurício da Cunha, afirmou que a companhia mantém o otimismo com as oportunidades de crescimento, especialmente diante dos próximos leilões de transmissão previstos para 2026, que autoridades esperam movimentar cerca de R$ 25 bilhões. A empresa monitora novos projetos, reforços e melhorias, mas Cunha ponderou que o crescimento será pautado pela "disciplina na alocação de capital". Quanto às novas tecnologias, como sistemas de armazenamento por baterias, Maurício confirmou o interesse da Taesa e o desenvolvimento de capacidades internas no segmento. Contudo, o posicionamento oficial e os investimentos nessa frente dependem da evolução e do conhecimento claro das regras regulatórias.
Análise do Balanço 4T25 e Visão dos Especialistas
No front operacional, os resultados regulatórios do 4T25 foram sólidos:
- Receita Líquida: R$ 644 milhões (+10,8% vs 4T24).
- Ebitda Ajustado: R$ 537 milhões (+11,8% vs 4T24).
- Lucro Líquido Regulatório: R$ 313 milhões (+56% vs 4T24).
O Itaú BBA atribuiu o aumento da receita à entrada em operação de Pitiguari, reforços em Novatrans e ao reajuste positivo de IGP-M e IPCA no ciclo de RAP 2025-2026. O BTG resumindo o trimestre como "Ebitda em linha e resultado final forte".
Recomendações Divergentes
Apesar dos bons números e da perspectiva de desalavancagem, as casas de análise mantêm visões distintas sobre o valuation da ação: Casa de Análise Recomendação Preço-Alvo Justificativa Itaú BBA Neutral (Market Perform) R$ 44,90 Classificou o trimestre como neutro, sem mudança de tese. BTG Pactual Venda R$ 37,00 Reconheceu o resultado sólido, mas reiterou a recomendação negativa.
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