A Vivara registrou lucro líquido de R$ 114,8 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 38,7% na comparação anual. VIVA3 e ações brasileiras.
A receita cresceu, mas o trimestre foi afetado por lançamentos não recorrentes e por uma base que incluía créditos tributários no ano passado. O lucro ficou próximo da expectativa média dos analistas, o que reduz a surpresa do número principal.
Os principais números do trimestre
A receita operacional líquida somou R$ 692,9 milhões, alta de 4,3%. O Ebitda reportado foi de R$ 106 milhões, com margem de 15,3%. Excluindo efeitos não recorrentes, o Ebitda ajustado chegou a R$ 132,7 milhões e o lucro líquido ajustado ficou em R$ 119,9 milhões.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro reportado | R$ 114,8 milhões |
| Lucro ajustado | R$ 119,9 milhões |
| Receita líquida | R$ 692,9 milhões |
| Ebitda ajustado | R$ 132,7 milhões |
| Dívida líquida | R$ 149,7 milhões |
A margem bruta reportada caiu de 71,3% para 65%. Na base ajustada, ficou em 67,8%. O 3T25 havia recebido R$ 39 milhões em créditos extemporâneos de PIS/Cofins, enquanto o trimestre atual teve impacto negativo de R$ 26,6 milhões em lançamentos não recorrentes.
Life e relógios crescem, joias avançam menos
A receita bruta atingiu R$ 867,4 milhões, alta de 7,7%. Relógios cresceram 15,5%, Life avançou 10,3% e joias, que respondem por cerca de metade das vendas, subiram 2,1%. As vendas nas mesmas lojas cresceram 4,4%, abaixo dos 10,7% do ano anterior.
A desaceleração mostra que a empresa continuou vendendo mais, mas em ritmo menor. Mix de produtos, preço do ouro, promoções e incentivos fiscais influenciam a margem. Em joalheria, estoque também imobiliza capital e precisa girar sem descontos excessivos.
O que explica o resultado
A queda do lucro não veio de um único fator. Há a comparação difícil com créditos do 3T25, efeitos extraordinários negativos no trimestre atual e margem operacional menor. Retirar esses itens reduz a queda, mas o Ebitda ajustado ainda recuou 22,4%.
A receita maior foi insuficiente para compensar toda a pressão de custos e despesas. O mercado deve observar se o efeito é transitório, ligado ao calendário e a ajustes, ou se revela uma margem estruturalmente menor.
A leitura para o investidor
A dívida líquida caiu 57,8%, para R$ 149,7 milhões, deixando o balanço mais leve. Em outubro, a Vivara emitiu R$ 300 milhões em debêntures a CDI mais 0,65% ao ano para alongar o perfil da dívida.
A empresa mantém marcas fortes e crescimento em categorias como Life, mas o investidor precisa separar expansão de vendas de rentabilidade. Crescer com margem menor pode aumentar receita sem produzir o mesmo avanço de caixa e lucro.
Riscos e pontos de atenção
O preço do ouro e da prata, a demanda discricionária e o câmbio afetam custos e consumo. Concorrência, abertura de lojas e execução de estoques também influenciam o retorno.
Itens tributários podem tornar a comparação confusa. A melhor leitura combina receita, vendas mesmas lojas, margem bruta ajustada, Ebitda ajustado e geração de caixa, sempre usando a mesma base entre os períodos.
O que acompanhar agora
A conferência de resultados deve explicar os lançamentos não recorrentes, a evolução de preços e o plano para recuperar margem. O desempenho da Life e a produtividade das lojas novas estarão no foco.
O quarto trimestre inclui datas importantes para presentes. Vendas de fim de ano, giro de estoque e margem serão os testes mais próximos para saber se a pressão do 3T26 foi temporária.
A Vivara cresceu receita e reduziu dívida, mas entregou lucro e margem menores. Para VIVA3, a recuperação da rentabilidade terá mais peso do que uma simples aceleração das vendas.