O lucro da WEG caiu 2,1% no trimestre, e a manchete fácil é de fraqueza. Só que a queda vem do dólar mais barato, não do negócio: em moeda forte, as vendas ao exterior cresceram quase 15%. Veja o que o resultado esconde.
A WEG (WEGE3), uma das maiores fabricantes de motores e equipamentos elétricos do mundo, divulgou nesta quarta-feira (22), antes da abertura do mercado, o resultado do segundo trimestre de 2026. O lucro líquido foi de R$ 1,559 bilhão, uma queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. À primeira vista, é um resultado morno. O detalhe é que a explicação da queda não está na operação, e sim na moeda.
O número veio em linha com o que o mercado esperava. Projeções reunidas pela Bloomberg apontavam para um lucro em torno de R$ 1,5 bilhão.
O câmbio explica quase tudo
A WEG vende para o mundo inteiro, e boa parte da sua receita vem de fora. Quando o real se valoriza, como aconteceu neste ano, cada dólar recebido no exterior vira menos reais no balanço. O próprio dólar médio caiu de R$ 5,67 no segundo trimestre de 2025 para R$ 5,05 neste ano, uma desvalorização de quase 11%. Não por acaso, o real vem entre as moedas que mais se valorizam em 2026, um alívio para quem importa mas um peso no balanço das exportadoras.
O efeito fica claro quando se olha a receita externa por duas lentes:
| Receita do mercado externo (2T26) | Variação anual |
|---|---|
| Medida em reais | +2,3% |
| Medida em dólar | +14,7% |
Ou seja, em dólar, a moeda real do negócio internacional da WEG, as vendas ao exterior cresceram quase 15%, para US$ 1,22 bilhão. É o câmbio, e não a demanda, que segurou o número em reais. Quem lê só a linha do lucro perde essa história.
Os números do trimestre
O quadro geral do resultado:
| Indicador | 2T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 1,559 bi | -2,1% |
| Receita líquida | R$ 10,143 bi | -0,6% |
| EBITDA | R$ 2,212 bi | -2,1% |
| Margem EBITDA | 21,8% | -0,3 p.p. |
| ROIC | 33,6% | +0,7 p.p. |
Dois pontos merecem destaque nessa tabela. O primeiro é o ROIC, o retorno sobre o capital investido, que subiu para 33,6%, um patamar altíssimo que mostra que a WEG segue rentável e eficiente no uso do próprio capital. O segundo é a comparação trimestral: contra os três meses anteriores, a receita cresceu 7,1% e o lucro subiu 7%, sinal de que a operação está acelerando, não desacelerando.
No mercado interno, porém, houve retração: a receita brasileira caiu 4,9% no ano, para R$ 3,97 bilhões, reflexo dos juros altos que seguram o investimento industrial no país, com a Selic parada em 14%.
O que a empresa diz
Segundo a administração da WEG, mesmo diante de um ambiente pressionado de crescimento, a companhia mantém boa demanda pelos produtos e serviços nos principais mercados, com mais um trimestre de expansão. A empresa investiu R$ 794,9 milhões no trimestre em modernização e ampliação de capacidade, com mais da metade destinada a parques industriais no exterior, um sinal de que a aposta na internacionalização continua firme.
O que fica no radar
A WEG realiza a teleconferência de resultados nesta quinta-feira (23), às 11h, quando a administração deve detalhar as perspectivas para o segundo semestre. Para o investidor, a leitura do trimestre é de uma empresa sólida operando contra um vento cambial desfavorável: se o real interromper a valorização, o crescimento em dólar que hoje fica escondido no balanço tende a aparecer com força na linha de reais. O resultado saiu na esteira de uma temporada de balanços que o mercado projeta difícil, marcada por juros altos e pela volatilidade do petróleo.