O Grupo 3corações concluiu nesta quinta-feira, 3 de setembro, a aquisição das operações da General Mills no Brasil. O negócio, avaliado em R$ 800 milhões quando foi anunciado, transfere marcas como Yoki e Kitano, além de fábricas e estruturas administrativas, e amplia a presença do comprador na indústria de alimentos.
A conclusão foi confirmada pelas duas empresas após o cumprimento das condições regulatórias e contratuais. O acordo havia sido divulgado em 17 de março e permanecia sujeito às aprovações necessárias, incluindo a análise concorrencial.
O que está incluído na compra
A operação abrange as marcas Yoki e Kitano e ativos relacionados ao negócio brasileiro da General Mills. A Yoki atua em categorias como pipoca de micro-ondas, farofa, batata palha, grãos e farináceos. A Kitano é conhecida por temperos, ervas e especiarias.
Também passam à estrutura da 3corações o escritório administrativo localizado em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e unidades produtivas em Pouso Alegre, Minas Gerais, e Campo Novo do Parecis, Mato Grosso.
Com a integração, o grupo passa a operar 15 unidades industriais no país. Informações divulgadas pela companhia indicam uma equipe total de aproximadamente 12,7 mil pessoas e presença comercial em mais de 600 mil pontos de venda.
Por que a 3corações comprou Yoki e Kitano
A aquisição amplia a atuação da 3corações para além do café e das bebidas prontas. Com Yoki e Kitano, o grupo ganha presença em alimentos básicos, acompanhamentos, snacks e temperos, categorias consumidas em diferentes momentos do dia.
A estratégia é combinar o alcance de distribuição da 3corações com marcas que já ocupam posições relevantes nos supermercados brasileiros. O grupo informou que pretende preservar a identidade das marcas e dar continuidade às operações durante a integração.
A 3corações já vinha diversificando o portfólio, mas o negócio com a General Mills tem uma dimensão diferente por envolver simultaneamente marcas de grande reconhecimento, fábricas, funcionários e uma rede nacional de distribuição.
Por que a General Mills vendeu o negócio brasileiro
A General Mills afirmou que a venda faz parte de uma reorganização global de portfólio. A companhia americana vem concentrando capital e gestão nas marcas e plataformas consideradas mais promissoras para crescimento rentável.
Desde o ano fiscal de 2018, a multinacional informa ter renovado aproximadamente um terço de sua base de vendas líquidas por meio de aquisições e desinvestimentos. A venda das operações brasileiras representa mais uma etapa desse processo.
A operação da General Mills no Brasil havia gerado aproximadamente US$ 350 milhões em vendas líquidas no ano fiscal de 2025. Esse número ajuda a dimensionar o negócio transferido, embora receita não seja equivalente a lucro ou ao valor econômico final da transação.
O valor da aquisição
A compra foi anunciada por R$ 800 milhões, valor sujeito aos ajustes usuais de fechamento previstos em transações desse tipo. As empresas não divulgaram nesta quinta-feira uma nova avaliação nem detalharam publicamente a estrutura final de pagamento.
O anúncio original informou que o Deutsche Bank atuou como assessor financeiro exclusivo da 3corações e que o escritório Miguel Neto Advogados prestou a assessoria jurídica ao comprador.
O que muda para Yoki e Kitano
A mudança central é o controle das marcas e das operações, que deixa a General Mills e passa para a 3corações. Para consumidores e varejistas, a orientação divulgada é de continuidade dos negócios e preservação das marcas.
A integração deverá envolver produção, logística, equipes comerciais e distribuição. Os resultados dependerão da capacidade de combinar as estruturas sem afetar o abastecimento e de ampliar as vendas usando a capilaridade já construída pelo grupo comprador.
O movimento ocorre em um período de novos investimentos na indústria alimentícia brasileira. Entre os projetos acompanhados pelo Analistas está o plano de R$ 2 bilhões da Nestlé no Brasil, que inclui uma nova fábrica em Minas Gerais.
3corações tem ações na Bolsa?
A 3corações não possui ações negociadas diretamente na B3. O grupo é uma empresa de capital fechado controlada por uma associação entre a brasileira São Miguel Holding e o grupo israelense Strauss. Por isso, a aquisição não cria um ticker novo para acompanhamento na Bolsa brasileira.
A General Mills possui ações negociadas nos Estados Unidos, mas a conclusão da venda deve ser analisada dentro de sua estratégia global, e não como resultado isolado da operação brasileira.
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