Ciente de que o ajuste fiscal inicial não é suficiente para recuperar a confiança no peso argentino após a desvalorização histórica de 99,8%, o governo prepara uma cartada decisiva. Nesta semana, o presidente Javier Milei reuniu a base aliada na Casa Rosada para detalhar o projeto de lei que promete alterar a Carta Orgânica do Banco Central (BCRA).
A proposta ataca diretamente a máquina de inflação da Argentina e tem como objetivo principal "preservar o valor da moeda". Segundo detalhes do encontro de mais de duas horas com legisladores, os pilares da reforma incluem:
- Proibição total de financiamento: O Banco Central ficará expressamente proibido de financiar o Tesouro Nacional, seja de forma direta ou indireta.
- Independência blindada: Novas regras de governança tornarão muito mais difícil a remoção de autoridades do BCRA por pressões políticas.
- Fim das "utilidades fictícias": Proibição da distribuição de lucros irreais que forçavam a impressão de dinheiro no passado.
Para Milei, a nova legislação visa acabar com "91 anos de abuso da política ao setor privado via inflação". O presidente demonstrou otimismo, projetando que a economia argentina terá condições de crescer a taxas de 7% a 8% ao ano com as novas medidas. A expectativa é que o projeto seja enviado ao Congresso Nacional nas próximas semanas, tornando-se o principal campo de batalha político do semestre.