Fábricas de Manaus entregaram 1,063 milhão de unidades entre janeiro e junho, alta de 6,3%, enquanto as vendas bateram recorde histórico: 1,17 milhão de motos emplacadas. Setor mantém meta de superar 2 milhões no ano.
A indústria brasileira de motocicletas vive seu melhor momento em 15 anos. Balanço divulgado nesta segunda-feira (13) pela Abraciclo, associação das montadoras instaladas no Polo Industrial de Manaus (AM), mostra que a produção do primeiro semestre de 2026 chegou a 1.063.397 unidades — crescimento de 6,3% sobre o mesmo período de 2025, com cerca de 62 mil motos a mais saindo das linhas de montagem. É o melhor primeiro semestre desde 2011.
No varejo, o desempenho foi ainda mais forte: 1,174 milhão de motocicletas emplacadas de janeiro a junho, recorde absoluto da série histórica para o período, com alta de 14,1% — mais de 144 mil unidades adicionais absorvidas pelo mercado.
Por que os brasileiros estão comprando tanta moto?
Segundo a Abraciclo, a demanda é consistente em todos os estados e se apoia em três pilares: o custo de uso mais baixo em relação a outros veículos, a agilidade no trânsito das grandes cidades e a expansão do uso profissional, puxado principalmente pelos serviços de entrega. A chegada de modelos mais modernos e tecnológicos também sustenta as vendas.
Para o presidente da entidade, Marcos Bento, há ainda um efeito de fidelização: na avaliação dele, o consumidor começa em um modelo de entrada e vai subindo de categoria com o tempo. Os números confirmam — a categoria street liderou a produção do semestre, com 543.638 unidades (51,1% do total), seguida por trail (20%) e motoneta (12,9%).
Junho teve queda, mas já era esperada
A produção de junho recuou 15,1% na comparação anual e 29,9% frente a maio. O motivo, segundo Bento, foram as férias coletivas programadas pelas fabricantes, período também aproveitado para manutenção das linhas. Mesmo com o tombo pontual, as vendas do mês cresceram 8,3% sobre junho de 2025, com 194,2 mil emplacamentos.
As exportações acompanharam o ritmo: mais de 24 mil motos embarcadas no semestre, alta de 29,4%, tendo a Argentina como principal destino (41,9% do total), seguida por Estados Unidos, Colômbia, Austrália e Guatemala.
O que fica no radar
A Abraciclo manteve a projeção de 2,07 milhões de motos produzidas em 2026, o que representaria alta de 4,5% sobre o recorde de 15 anos registrado em 2025 e a superação da barreira histórica dos 2 milhões. A entidade, porém, monitora dois riscos para o segundo semestre: os efeitos do El Niño na região amazônica — uma estiagem severa pode afetar a logística do polo de Manaus — e os desdobramentos do tarifaço americano sobre as exportações. Se o ritmo atual se mantiver, 2026 caminha para ser o melhor ano da história da indústria de duas rodas no Brasil.