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A rota invisível que leva Amazon e Walmart a milhões na África

Sem operação na maior parte da África, Amazon e Walmart chegam ao continente por intermediários que recebem pacotes nos EUA, Europa e China.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
Publicado em Atualizado às 16:20 de hoje
Amazon e Walmart entregam em toda áffrica sem ter CD

Sem cartão de crédito e até sem endereço de rua, milhões de africanos já compram das maiores varejistas do mundo. O truque está em empresas intermediárias que recebem os pacotes em armazéns nos EUA, na Europa e na China e entregam na porta do cliente.

Gigantes como Amazon e Walmart não têm operação física na maior parte da África, mas isso não impede que os consumidores do continente comprem seus produtos. Uma espécie de rota logística invisível vem crescendo e conectando compradores africanos às prateleiras virtuais dos Estados Unidos, da Europa e da China. Quem faz essa ponte são empresas de redirecionamento de encomendas, que se apoiam na tecnologia e no avanço da internet para superar dois obstáculos históricos no continente: a falta de endereços formais e o grande número de pessoas sem conta bancária.

Como funciona a rota invisível

O mecanismo é engenhoso na sua simplicidade. A startup senegalesa Afrety, por exemplo, oferece a cada cliente um endereço de entrega em armazéns na França, nos Estados Unidos e na China. A pessoa compra normalmente no site da varejista, indica esse endereço, e a empresa recebe o pacote lá fora. Depois, várias compras podem ser juntadas, reembaladas e despachadas de uma vez para a África Ocidental, o que ajuda a diluir o custo do frete.

A Afrety cresceu apoiada nos laços profundos entre o Senegal e a França, antiga potência colonial que abriga uma grande diáspora senegalesa. Já a Aramex, outra gigante do setor, atua na África Subsaariana com a MyUS, plataforma que começou atendendo americanos expatriados no continente e foi comprada por ela em 2022. A empresa também opera a Shop and Ship, que entrega em vários países da região.

De eletrônicos a peças de carro

Amadou Diallo, presidente do grupo Aramex, disse à Reuters que o objetivo é servir clientes africanos que querem variedade e marcas que, de outra forma, não chegariam até eles. Angola é um dos principais destinos da empresa, que atua até em ambientes difíceis, como a Somália, país marcado por décadas de guerra.

A Aramex afirma que a África Subsaariana é uma de suas regiões que mais crescem e planeja dobrar a receita com esses envios até 2030. Os produtos mais procurados dão uma boa pista do apetite do consumidor local: eletrônicos, roupas, brinquedos e máquinas para agricultura, além de autopeças.

A África do Sul puxa a fila

Um país se destaca nesse mercado. A África do Sul, maior economia da África Subsaariana, domina o uso de internet no continente e é isolada em nível de compras online. Nos últimos cinco anos, o varejo online sul-africano cresceu perto de 35% ao ano, chegando a cerca de 140 bilhões de rands em 2025, o equivalente a US$ 7,26 bilhões, segundo dados da Mastercard.

Foi justamente esse tamanho que atraiu as gigantes para montarem ali suas primeiras operações formais no continente. A Amazon lançou seu primeiro marketplace na África do Sul em 2024, enfrentando a varejista local Takealot, e as primeiras lojas da marca Walmart abriram em Joanesburgo no ano passado. Questionadas, nem a Amazon nem o Walmart quiseram comentar se pretendem expandir para outras partes da África Subsaariana, nem informaram volumes de venda por meio dos intermediários.

O que fica no radar

O caso africano mostra como a demanda por consumo global encontra caminhos mesmo onde as grandes plataformas ainda não pisaram, com pagamentos digitais substituindo o cartão e intermediários resolvendo a questão do endereço. Ainda assim, há limites para esse crescimento. Tanto a Afrety quanto a Aramex têm a maior parte dos clientes concentrada dentro ou perto das grandes cidades, onde se concentra a renda. É uma história que interessa a quem acompanha e-commerce e logística no Brasil, onde desafios parecidos de endereçamento e bancarização também moldam a forma como as compras online chegam até o consumidor.

Com informações da Reuters e do Daily Maverick.

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