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Petrobras supera R$ 40 com petróleo em alta, mas Trump já recuou da taxa em Ormuz

PETR4 supera R$ 40 com Brent perto de US$ 87, mas Trump desiste da taxa de 20% em Ormuz e petróleo devolve ganhos. Veja riscos e dividendos.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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PETR4 acima de R$ 40: até onde vai a alta com a crise em Ormuz

PETR4 sobe mais de 2,5% e acumula ganho superior a 35% no ano, impulsionada pela escalada no Estreito de Ormuz. Poucas horas depois do anúncio, porém, o presidente americano desistiu do pedágio de 20% sobre as cargas, e o petróleo devolveu parte da alta.

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) romperam a marca dos R$ 40 nesta terça-feira (14). O papel subiu cerca de 2,5% e foi negociado na faixa de R$ 40,60, embalado pela disparada do petróleo no mercado internacional. Depois de fechar a véspera a R$ 39,65, a ação já acumula valorização superior a 35% em 2026.

O combustível do movimento é geopolítico. O Brent, referência usada pela Petrobras, chegou a superar US$ 86,90 pela manhã, o maior nível em cerca de um mês. Isso veio logo após a commodity saltar quase 10% na segunda-feira, na maior alta diária desde 2020. O gatilho foi o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que retomaria o bloqueio naval ao Irã e cobraria um pedágio de 20% sobre o valor das cargas que cruzam o Estreito de Ormuz. Por essa passagem estreita corre cerca de um quinto de todo o petróleo e do gás consumidos no mundo.

Reviravolta: Trump desiste da taxa de 20%

O cenário mudou ao longo desta terça. Em uma publicação na Truth Social, Trump anunciou que vai substituir a "taxa de reembolso" de 20% por acordos de comércio e investimento com países do Golfo, depois do que chamou de conversas produtivas com líderes da região. Segundo ele, o bloqueio continua valendo apenas para embarcações ligadas ao Irã.

Com o recuo, o petróleo devolveu parte dos ganhos. O Brent passou a operar perto de US$ 85, ainda em alta de cerca de 2% no dia, e o WTI rondava US$ 79,60. A tensão na região segue alta, com petroleiros atacados em águas de Omã e o Irã lançando drones contra alvos americanos no Kuwait, mas a retirada do pedágio aliviou o temor de um encarecimento imediato do frete e dos seguros marítimos.

O que isso significa para quem tem PETR4?

Petroleiras costumam ganhar quando o barril sobe, porque a receita por unidade vendida aumenta. Esse efeito, vale lembrar, também depende do câmbio, dos custos e da política de preços da estatal. Com o Brent acima de US$ 80, o cenário operacional continua favorável.

O risco mora no caminho inverso. Gestores ouvidos pela imprensa americana estimam que, se o estreito voltar à normalidade por completo, o barril pode recuar rápido para a casa dos US$ 60, nível que tiraria boa parte do prêmio embutido nas ações. Foi mais ou menos o que aconteceu em junho, quando os primeiros sinais de acordo na região derrubaram o Brent para menos de US$ 80 e a PETR4 corrigiu com força.

E os dividendos?

Além do petróleo, o investidor fica de olho no caixa da companhia. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê US$ 109 bilhões em investimentos, sendo US$ 91 bilhões em projetos já em implantação. Esse volume elevado pode limitar o espaço para proventos extraordinários caso o barril volte a cair.

Referente ao primeiro trimestre de 2026, a Petrobras aprovou R$ 0,700972 por ação em dividendos, divididos em duas parcelas iguais previstas para agosto e setembro. As informações oficiais sobre proventos ficam na página de relações com investidores da Petrobras.

O que fica no radar

A ação virou um verdadeiro termômetro do noticiário de Ormuz. Cada escalada empurra o papel para cima, e cada sinal de trégua provoca realização de lucros. Com Trump recuando da taxa em menos de 24 horas, a volatilidade tende a continuar ditando o ritmo. No fim das contas, manter a PETR4 acima de R$ 40 vai depender menos dos fundamentos da empresa e mais dos próximos capítulos no Golfo Pérsico.

MU
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