Maior banco dos Estados Unidos superou as previsões de Wall Street no segundo trimestre, impulsionado por um ganho bilionário com sua fatia na Visa e pela retomada das fusões e aquisições. As receitas de negociação de ações dispararam 86%.
O JPMorgan Chase, maior banco dos Estados Unidos, divulgou nesta terça-feira (14) um lucro recorde e bem acima do que Wall Street esperava. A instituição registrou lucro líquido de US$ 21,2 bilhões entre abril e junho, o equivalente a US$ 7,70 por ação. Para efeito de comparação, no mesmo período do ano passado o banco havia lucrado US$ 14,99 bilhões, ou US$ 5,24 por ação. Foi um salto expressivo em apenas doze meses.
Boa parte desse resultado veio de dois motores. O primeiro foi um ganho líquido de US$ 4,6 bilhões ligado à participação do banco na Visa, a gigante de pagamentos. O segundo foi a forte recuperação do mercado de capitais, com a volta das fusões e aquisições e o aquecimento das aberturas de capital na bolsa, as chamadas IPOs.
De onde veio o dinheiro
O desempenho foi puxado sobretudo pela área de mercados e banco de investimento. As receitas de negociação de ações do JPMorgan dispararam 86% na comparação anual, enquanto a divisão de mercados como um todo, que reúne as operações de trading, cresceu 35% e somou US$ 12,1 bilhões. A receita total do banco avançou 28% e chegou a US$ 57,35 bilhões, batendo com folga a expectativa dos analistas, que era de cerca de US$ 50,6 bilhões.
Vale um cuidado na leitura, porém. Os US$ 21,2 bilhões incluem itens extraordinários, como o ganho com a Visa. Descontando esses efeitos pontuais, o lucro do banco foi de US$ 16,9 bilhões, o que ainda representa um crescimento de 13% sobre o ano anterior. Ou seja, mesmo sem os fatores fora do comum, o resultado foi sólido.
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O que diz Jamie Dimon
Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan e uma das vozes mais ouvidas do mercado financeiro global, afirmou que a economia americana segue resiliente. Mas ele não deixou de listar os riscos que estão no seu radar, entre eles as tensões geopolíticas e as guerras, uma inflação que insiste em não ceder, os grandes déficits fiscais pelo mundo e os preços elevados dos ativos.
O banco também elevou algumas projeções para o ano. A estimativa de despesas para 2026 subiu de US$ 105 bilhões para US$ 107,5 bilhões, o que gerou certa cautela entre investidores, ainda que a receita de juros esperada também tenha sido revista para cima.
O termômetro dos bancos americanos
O resultado do JPMorgan não veio isolado. Nesta terça, outros gigantes de Wall Street também abriram os números e confirmaram um semestre forte para o setor. O Bank of America, o Goldman Sachs, o Citigroup e o Wells Fargo igualmente reportaram alta nos lucros, todos favorecidos pela mesma combinação de mercados aquecidos e retomada das grandes operações financeiras.
O Goldman Sachs, por exemplo, teve lucro 78% maior que um ano antes e assessorou mais de US$ 1 trilhão em fusões e aquisições anunciadas no primeiro semestre, um ritmo recorde. Como os balanços de bancos desse porte funcionam como um termômetro da economia americana, os números reforçam a percepção de que a atividade financeira nos EUA voltou a ganhar tração após um período de mais volatilidade.
O que fica no radar
Apesar do resultado robusto, as ações do JPMorgan tiveram reação mista, chegando a cair no pré-mercado antes de se recuperarem, em parte pela previsão maior de despesas. Com valor de mercado já acima de US$ 920 bilhões, o banco se aproxima cada vez mais do seleto clube das empresas avaliadas em US$ 1 trilhão. Para o investidor brasileiro, vale acompanhar essa temporada de balanços americanos, já que ela costuma dar o tom do humor dos mercados globais e influenciar o apetite por risco também na bolsa daqui.