Os papéis da empresa de foguetes de Elon Musk caíram 6,7% nesta quarta e já perdem quase 15% desde a estreia em bolsa no mês passado. Mesmo assim, a SpaceX vale US$ 1,52 trilhão, mais que a Tesla. Entenda o que derruba a ação.
As ações da SpaceX, a empresa de foguetes de Elon Musk, despencaram 6,7% nesta quarta-feira (22) e fecharam a US$ 115,26, o menor valor desde a oferta pública inicial (IPO) realizada no mês passado. Durante o pregão, o papel chegou a tocar US$ 115,19, uma nova mínima histórica.
O movimento não é um tropeço isolado. As ações caíram em 12 dos últimos 15 pregões e agora estão bem abaixo do preço de US$ 135 fixado no IPO, uma desvalorização de cerca de 15% em poucas semanas de vida na bolsa.
O paradoxo: cai, mas ainda é a mais valiosa
Aqui está o dado que dá a real dimensão da SpaceX. Mesmo depois da queda, a companhia encerrou o dia avaliada em cerca de US$ 1,52 trilhão. Para efeito de comparação, isso é mais do que a própria Tesla, a montadora de carros elétricos também presidida por Musk, que vale cerca de US$ 1,4 trilhão.
Ou seja, o mercado ainda enxerga a empresa de foguetes como o ativo mais valioso do império de Musk, à frente da montadora que fez sua fortuna. A queda recente corrige o exagero do IPO, mas não apaga o tamanho colossal da companhia.
Por que a ação vem caindo
A pressão sobre o papel combina fatores recentes. O mais concreto foi técnico: a SpaceX vinha de uma nova falha em um teste da Starship, o megafoguete da empresa, episódio que já havia derrubado a ação e alimentado dúvidas sobre o cronograma dos projetos mais ambiciosos de Musk.
A esse ruído somam-se dois outros. O primeiro é a euforia típica de pós-IPO se dissipando: ações que estreiam com forte demanda costumam corrigir quando o entusiasmo inicial passa e o investidor recalibra o preço a fundamentos. O segundo é o ambiente para ativos de tecnologia e risco, que ficou mais nervoso globalmente, num momento em que a corrida da inteligência artificial e a volatilidade dos juros americanos tiram o apetite por apostas de longo prazo.
O contexto do império Musk
A SpaceX não opera isolada. Ela é a joia de um conglomerado que inclui a Tesla, a rede social X e a xAI, empresa de inteligência artificial que recentemente lançou o Grok 4.5, apostando em preço para ganhar mercado. O desempenho das peças desse quebra-cabeça costuma se influenciar mutuamente, tanto pela figura central de Musk quanto pelas participações cruzadas entre as empresas.
Para o investidor brasileiro, vale o registro: a SpaceX é negociada nos Estados Unidos e, por ser uma estreante recente, ainda não conta com um BDR consolidado na B3. A exposição, quando disponível, tende a vir por corretoras internacionais ou por ETFs que incluam o papel.
O que fica no radar
O teste imediato para a ação é duplo. No curto prazo, o mercado vai observar se a SpaceX estabiliza acima ou abaixo do preço do IPO, um patamar psicológico importante para uma empresa que estreou há tão pouco tempo. No horizonte mais longo, o que sustenta o valuation gigante é a execução: o avanço da Starship, a expansão da rede de internet via satélite e os contratos com agências espaciais e governos. Enquanto os foguetes falham nos testes, a ação sente. Quando voltam a voar, a história muda.