Gigante fundada por Jeff Bezos se tornou a quinta empresa da história a ultrapassar a marca. Alta foi impulsionada pela aceleração da AWS e pela corrida global por inteligência artificial.
A Amazon entrou nesta segunda-feira, 3 de agosto, para o seleto grupo de empresas avaliadas em mais de US$ 3 trilhões.
As ações chegaram a US$ 285,01 durante o pregão, uma nova máxima histórica, elevando a capitalização de mercado da companhia para cerca de US$ 3,1 trilhões. Considerando a cotação atual do dólar, isso representa mais de R$ 15 trilhões.
A empresa se tornou a quinta da história a ultrapassar a marca, depois de Nvidia, Apple, Microsoft e Alphabet, dona do Google.
O movimento ocorreu após uma alta de aproximadamente 15% na sexta-feira, seguida por um avanço próximo de 5% nesta segunda. Em apenas dois pregões, os papéis acumularam valorização superior a 20%.
O que fez a Amazon disparar?
O principal combustível veio do resultado do segundo trimestre de 2026.
A receita da Amazon cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano anterior e alcançou US$ 200,6 bilhões. Foi a primeira vez que as vendas trimestrais da companhia ultrapassaram US$ 200 bilhões.
O lucro operacional avançou 43%, para US$ 27,5 bilhões. Essa métrica ajuda a mostrar quanto a empresa gerou com suas atividades, antes de efeitos financeiros e contábeis.
O maior destaque, porém, veio da Amazon Web Services, a AWS.
AWS cresce no ritmo mais forte em 18 trimestres
A receita da AWS aumentou 37% e chegou a US$ 42,2 bilhões no trimestre. Foi o crescimento mais acelerado da divisão de computação em nuvem em 18 trimestres.
O lucro operacional da AWS saltou de US$ 10,2 bilhões para US$ 16,6 bilhões, avanço de aproximadamente 63%.
Embora represente uma parcela menor das vendas totais da Amazon, a AWS respondeu por mais de 60% do lucro operacional consolidado no trimestre.
A divisão fornece infraestrutura de nuvem, armazenamento, processamento de dados e capacidade computacional para empresas que desenvolvem sistemas de inteligência artificial.
A Amazon informou que o negócio de inteligência artificial da AWS já superou uma taxa anualizada de US$ 25 bilhões em receita. A companhia também mantém contratos e parcerias com empresas como Anthropic, OpenAI e Meta.
A aceleração colocou a Amazon novamente entre as big techs mais beneficiadas pela corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.
Lucro de US$ 62,6 bilhões exige uma ressalva
O lucro líquido da Amazon atingiu US$ 62,6 bilhões, mais de três vezes o resultado de US$ 18,2 bilhões registrado no segundo trimestre de 2025.
Mas esse número não veio apenas do comércio eletrônico, da publicidade ou da AWS.
O resultado incluiu US$ 53,4 bilhões em receitas não operacionais antes dos impostos, relacionadas principalmente à valorização da participação da Amazon na Anthropic, desenvolvedora do assistente de inteligência artificial Claude.
Portanto, não seria correto interpretar todo o crescimento do lucro como resultado recorrente das operações.
O avanço da receita, do lucro operacional e da AWS mostra melhora real do negócio. Ainda assim, a participação na Anthropic teve influência relevante sobre o lucro líquido divulgado.
Corrida pela IA também consome caixa
O balanço trouxe outro ponto de atenção.
O fluxo de caixa livre acumulado em 12 meses ficou negativo em US$ 7,6 bilhões. Segundo a Amazon, o resultado foi pressionado pelo aumento de US$ 66,1 bilhões nas compras de imóveis, equipamentos, servidores e outras estruturas.
Grande parte desses investimentos está ligada à expansão de centros de dados e à capacidade necessária para atender à procura por inteligência artificial.
O mercado recebeu os gastos de forma positiva porque a AWS voltou a crescer mais rapidamente. Mas a manutenção dessa percepção dependerá da capacidade da Amazon de transformar os investimentos em receita e geração de caixa.
É uma diferença importante em relação a outras empresas que também estão aumentando os gastos com IA.
O Analistas mostrou recentemente que a Microsoft conseguiu acelerar o negócio de nuvem e preservar sua geração de caixa, enquanto a Meta enfrentou maior pressão.
Amazon chega aos US$ 3 trilhões dois anos após atingir US$ 2 trilhões
A Amazon ultrapassou US$ 2 trilhões em valor de mercado pela primeira vez em junho de 2024.
Foram necessários pouco mais de dois anos para adicionar outro US$ 1 trilhão à sua capitalização.
A valorização também mostra como a liderança do mercado americano está concentrada em poucas empresas de tecnologia.
A Nvidia continua na primeira posição global, com valor próximo de US$ 5 trilhões. Apple, Alphabet e Microsoft também estão acima ou próximas das maiores marcas já registradas pelo mercado.
Recentemente, a Apple se tornou a segunda empresa da história a alcançar US$ 5 trilhões.
A Meta ainda não chegou aos US$ 3 trilhões, mas o Analistas já mostrou a matemática necessária para a empresa alcançar esse patamar.
Como investir na Amazon pelo Brasil?
As ações da Amazon são negociadas na Nasdaq sob o código AMZN.
No Brasil, a companhia pode ser acessada por meio do BDR AMZO34, negociado na B3.
Um BDR é um certificado negociado no Brasil que representa valores mobiliários emitidos no exterior.
A cotação do AMZO34 não depende apenas do desempenho das ações da Amazon em Nova York. O preço também pode ser influenciado pela variação do dólar em relação ao real e pela proporção entre o BDR e o ativo original.
A entrada da Amazon no clube dos US$ 3 trilhões não significa que suas ações continuarão subindo. O valor reflete expectativas elevadas para a AWS, a inteligência artificial e a capacidade da empresa de gerar retorno sobre os bilhões investidos em infraestrutura.