A dona do iPhone virou a segunda empresa da história a valer US$ 5 trilhões e retomou o posto de mais valiosa do mundo. Mas o troco veio menos da sua própria força e mais do tropeço da rival.
A Apple (AAPL) se tornou nesta terça-feira (28) a segunda companhia de capital aberto da história a atingir US$ 5 trilhões em valor de mercado. A ação chegou a subir 1,8% no início do pregão, a US$ 342,89, o que empurrou a capitalização da empresa acima da marca histórica pela primeira vez, antes de devolver parte do ganho. Para fechar o dia oficialmente no clube dos US$ 5 trilhões, o papel precisa terminar acima de US$ 340,43.
Só uma outra empresa havia chegado lá antes: a própria Nvidia (NVDA), que cruzou o patamar em outubro de 2025, embalada pela febre dos chips de inteligência artificial. Agora, a fabricante do iPhone não só alcançou o mesmo feito como retomou o trono de empresa mais valiosa do planeta.
Como a Apple voltou ao topo?
Aqui está o detalhe que o investidor precisa enxergar. A virada foi resultado mais da queda da Nvidia do que de uma disparada da Apple. Na segunda-feira (27), as ações da Nvidia recuaram cerca de 5%, enquanto as da Apple subiram apenas 1%. Foi esse tombo da rival que completou a ultrapassagem.
Isso não significa que a Apple não tenha méritos próprios. No acumulado de 2026, a ação sobe cerca de 24%, e avança perto de 60% em 12 meses, sustentada pela forte demanda pelo iPhone. Curiosamente, a empresa que por muito tempo foi vista como atrasada na corrida da IA agora colhe os frutos de uma reavaliação: os investidores começaram a olhar para além dos beneficiários mais óbvios da inteligência artificial, movimento que também derrubou a Nvidia diante da ameaça de concorrentes mais baratos no setor de chips.
Quem manda no clube dos trilhões?
O ranking das gigantes ficou assim, com a Apple isolada na liderança e a Nvidia logo atrás, seguidas por Alphabet (dona do Google) e Microsoft:
- Apple (AAPL): cerca de US$ 5 trilhões
- Nvidia (NVDA): cerca de US$ 4,7 trilhões
- Alphabet (GOOGL): cerca de US$ 3,9 trilhões
- Microsoft (MSFT): cerca de US$ 2,9 trilhões
É uma disputa que muda de figura a cada pregão. A Nvidia segue como uma das maiores beneficiárias do investimento global em IA e pode retomar a ponta se o humor virar. Logo abaixo, outras gigantes brigam para entrar no seleto grupo, como mostra a corrida da Meta rumo aos US$ 3 trilhões.
Os números da Apple sustentam o posto?
Essa é a prova de fogo, e ela vem logo. A Apple divulga seu balanço trimestral em 30 de julho, quinta-feira, e será aí que o mercado vai checar se a liderança se apoia nos próprios resultados ou se foi apenas "emprestada" pelo dia ruim da Nvidia.
Os últimos números jogam a favor. No trimestre mais recente reportado, a receita cresceu 17%, para US$ 111,18 bilhões, o lucro líquido subiu 19%, para US$ 29,58 bilhões, e o iPhone puxou a fila, com receita 22% maior. A companhia também recomprou cerca de US$ 36 bilhões em ações no primeiro semestre fiscal, o que ajuda a turbinar o lucro por ação. Some-se a isso a margem altíssima do negócio de serviços, e fica mais fácil entender por que o mercado banca o valuation, mesmo com a Apple ainda buscando seu lugar na era da IA, tema que a tem colocado em rota de colisão com a OpenAI.
Há ainda um capítulo de bastidores que promete movimentar os próximos meses: o recorde chega às vésperas de uma das maiores trocas de comando da história da empresa. Em 1º de setembro, o CEO Tim Cook deixará o cargo, que passará às mãos de John Ternus. O que fica no radar é se a nova gestão conseguirá sustentar o pote de US$ 5 trilhões, num momento em que cada tropeço, próprio ou da concorrência, redesenha o topo do mercado global.