A dona do Windows e do Azure faturou US$ 90 bilhões no trimestre e viu o lucro saltar 31%. Enquanto a Meta gasta e vê o lucro cair, a Microsoft mostra a outra face da corrida da IA: a que já dá dinheiro.
A Microsoft entregou um dos balanços mais fortes da temporada das gigantes de tecnologia. A empresa reportou nesta quarta-feira (29) uma receita de US$ 90 bilhões no quarto trimestre de seu ano fiscal, encerrado em 30 de junho, uma alta de 18% em um ano. O lucro líquido foi ainda mais animador: US$ 35,8 bilhões, um salto de 31%.
O número resume bem o momento da companhia. Enquanto boa parte do Vale do Silício ainda queima caixa para provar que a inteligência artificial vale o investimento, a Microsoft já está transformando essa aposta em lucro concreto.
A IA que dá lucro
O grande motor foi a nuvem. A receita do Azure, a plataforma de computação em nuvem da Microsoft, ultrapassou US$ 100 bilhões no ano fiscal pela primeira vez na história. É nesse serviço que rodam boa parte das ferramentas de IA vendidas pela empresa, e a demanda explodiu.
Outro destaque foi o Copilot, o assistente de IA integrado aos programas do pacote Office (agora Microsoft 365), que já soma mais de 30 milhões de licenças pagas. Nas palavras do presidente e CEO, Satya Nadella, a receita do Azure ultrapassou US$ 100 bilhões pela primeira vez, num sinal da confiança dos clientes na transformação digital via IA.
O detalhe que mais impressiona os analistas é a rentabilidade: mesmo excluindo o impacto dos investimentos na OpenAI (dona do ChatGPT, na qual a Microsoft é a maior investidora), o lucro ainda cresceu 22%. Ou seja, o negócio principal vai bem por conta própria.
O contraste com a Meta
O resultado da Microsoft ganha ainda mais relevância quando colocado ao lado do de outra gigante que reportou no mesmo dia. A Meta viu seu lucro cair 14%, justamente pressionada pelos gastos com IA, com o fluxo de caixa despencando.
As duas empresas vivem a mesma corrida, mas em estágios diferentes. A Meta está na fase de gastar pesado, apostando que o retorno virá depois. A Microsoft, por já ter uma máquina de nuvem madura e clientes corporativos pagando pelos seus serviços de IA, mostra que dá para lucrar com a tecnologia agora. É a diferença entre plantar e colher.
Os números do ano
No acumulado do ano fiscal de 2026, os resultados confirmam a boa fase. A receita total somou US$ 331,8 bilhões, alta de 18%, enquanto o lucro líquido chegou a US$ 133,7 bilhões, um crescimento de 31% no período. O lucro operacional avançou 21%, para US$ 155,2 bilhões.
São números que colocam a Microsoft entre as empresas mais lucrativas do planeta e ajudam a explicar por que ela disputa com a Apple o posto de companhia mais valiosa do mundo, num clube seleto que já passou dos US$ 5 trilhões em valor de mercado.
Por que isso importa para o investidor brasileiro
Assim como as demais big techs, a Microsoft está no radar de muitos brasileiros, seja por BDRs na B3 (negociados sob o código MSFT34), seja por fundos que replicam os índices americanos. Quando uma empresa desse porte mostra que a IA já dá retorno, o mercado tende a enxergar o setor de tecnologia com mais otimismo, o que afeta o humor das bolsas mundo afora, incluindo a brasileira.
O que fica no radar
A pergunta que fica é se a Microsoft consegue manter esse ritmo à medida que a concorrência na nuvem e na IA se acirra e os custos de investimento seguem altos. Por ora, a companhia entregou o que o mercado mais queria ver nesta temporada de balanços: prova de que os bilhões despejados em inteligência artificial podem, sim, virar lucro. E fez isso justamente no momento em que investidores começam a cobrar resultados concretos de toda a indústria de tecnologia.
Balanço referente ao quarto trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado em 30 de junho).