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Ânima recompra por R$ 410 milhões a FMU que ela mesma vendeu por R$ 500 milhões

Ânima compra a FMU por R$ 410 milhões, seis anos após vendê-la por R$ 500 milhões. Entenda a aposta na virada do EAD e o efeito na alavancagem.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Por que a Ânima recomprou a faculdade que vendeu há 6 anos?

Seis anos depois de se desfazer da universidade para destravar um negócio bilionário, a Ânima traz a FMU de volta para casa, mais barata e recém-saída de uma recuperação judicial. A jogada mira a virada regulatória do ensino a distância.

A Ânima Educação (ANIM3) anunciou nesta terça-feira (14) a compra do Centro Universitário FMU, uma das principais instituições privadas de São Paulo, por R$ 410 milhões. A operação amplia em 15% a base de alunos da companhia e em 11% a sua receita líquida.

O detalhe que torna o negócio curioso está no passado. A FMU pertencia ao fundo Camp Nou, gerido pela americana Farallon Capital, que havia comprado a universidade justamente da Ânima, em 2020, por R$ 500 milhões. Ou seja, a companhia está recomprando o mesmo ativo que vendeu, e por um valor nominal R$ 90 milhões menor. Considerando a inflação acumulada desde então, o desconto real é bem maior.

Por que a Ânima tinha vendido a FMU?

A venda de 2020 não foi por falta de interesse. Naquele ano, a Ânima comprou os ativos da Laureate no Brasil por R$ 4,4 bilhões, e a FMU fazia parte desse pacote. Para acelerar a aprovação da transação no Cade, o órgão antitruste, a empresa decidiu se desfazer da universidade, já que o prazo era fator crucial para a Laureate no acordo.

De lá para cá, a FMU não teve vida fácil. A instituição enfrentou dificuldades financeiras, viu sua fatia no ensino presencial de São Paulo encolher de 9% para 6% e precisou entrar em recuperação judicial. O plano só foi homologado pelos credores em fevereiro deste ano.

Na avaliação do CFO da Ânima, Átila Simões, a universidade se perdeu ao ficar focada na bilheteria e não no palco, o que cobrou seu preço nos resultados. Agora, com os passivos reestruturados, o executivo entende que a FMU está pronta para voltar a crescer, apoiada em uma equipe qualificada, em 58 anos de tradição e em cursos fortes nas áreas de direito e saúde.

O que a Ânima está comprando

Mesmo depois do aperto, a FMU não é um ativo pequeno:

  • 6 campi em São Paulo e 214 polos de ensino a distância
  • 51 mil alunos no total, sendo 24 mil no EAD e 4 mil no semipresencial
  • Quinta maior universidade da capital em alunos no presencial, atrás de nomes como UNIP, Uninove e Anhembi Morumbi
  • Faturamento de cerca de R$ 280 milhões nos últimos 12 meses, com Ebitda de R$ 52 milhões e margem ao redor de 20%

O pagamento será fatiado. A Ânima desembolsa R$ 240 milhões de imediato e paga os R$ 170 milhões restantes em 31 de dezembro de 2029 ou três anos após o fechamento da operação, o que vier primeiro.

A aposta: dobrar a margem

O plano da compradora é claro. A Ânima acredita que, ao entrar no seu ecossistema, a FMU recupera rapidamente o mercado que perdeu e dobra sua margem, convergindo para os 42% de margem operacional da companhia.

A lógica, segundo a CEO Paula Harraca, é a escala. As instituições do grupo rodam com margens entre 34% e 47%, e só o compartilhamento de estruturas e custos já deveria render um ganho relevante à FMU.

O verdadeiro motivo da pressa

Por trás do negócio há uma mudança regulatória que promete redesenhar o setor. O novo marco do ensino a distância, aprovado em meados do ano passado, determina que cursos de saúde, engenharia e pedagogia, que antes podiam ser oferecidos totalmente online, terão que migrar para o modelo semipresencial.

Isso obriga as instituições a terem estrutura física e laboratórios para receber esses alunos. E é aí que a FMU se encaixa: ela já tem expertise em EAD e semipresencial, vinha crescendo acima do mercado nessas modalidades e conta com campi grandes e laboratórios prontos. Para Harraca, a transformação é estrutural, o cenário é desafiador e o momento da transação é justamente o que permite sair na frente.

Na prática, a Ânima está comprando um atalho para se adaptar à nova regra antes dos concorrentes.

O que fica no radar

A conta tem um custo. A aquisição eleva a alavancagem da Ânima de 2,39 vezes o Ebitda, no fechamento do primeiro trimestre, para cerca de 2,73 vezes. O CFO argumenta que a companhia deve retomar rapidamente a trajetória de redução da dívida conforme a geração de caixa e o Ebitda cresçam. A empresa terminou o primeiro trimestre com R$ 1,8 bilhão em caixa.

Vale registrar o tamanho da aposta. A Ânima vale R$ 1,17 bilhão na Bolsa, com a ação acumulando queda de 22% nos últimos 12 meses. Isso significa que a companhia está pagando por uma única aquisição o equivalente a mais de um terço do seu próprio valor de mercado. Se a tese de dobrar a margem da FMU se confirmar, o negócio pode ser um divisor de águas. Se não, a alavancagem vira problema em um setor que já opera sob pressão.

Com informações do Brazil Journal.

MU
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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