O Banco Central Europeu anunciará sua próxima decisão de juros na quinta-feira, 10 de setembro. A expectativa predominante entre economistas é de aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de depósito, de 2,25% para 2,50%, mas a decisão ainda não foi tomada.
A reunião ganhou importância depois que a inflação anual da zona do euro subiu de 2,9% em julho para uma estimativa preliminar de 3,3% em agosto. O resultado ficou acima da meta de 2% perseguida pelo BCE e aumentou a pressão por uma política monetária mais restritiva.
Que horas sai a decisão do BCE
O calendário oficial prevê a publicação da decisão às 14h15 no horário da Europa Central, equivalente a 9h15 em Brasília. A entrevista coletiva da presidente Christine Lagarde começa às 9h45 pelo horário brasileiro. As novas projeções macroeconômicas serão divulgadas na sequência.
A reunião começará na quarta-feira e será concluída na quinta, em Berlim. Além da taxa de depósito, atualmente em 2,25%, o mercado acompanhará eventuais mudanças nas taxas de refinanciamento, de 2,40%, e de empréstimo marginal, de 2,65%.
Por que o mercado espera aumento
Uma pesquisa divulgada em agosto mostrou que 57 de 69 economistas consultados esperavam alta de 0,25 ponto percentual em setembro. Levantamentos mais recentes continuam indicando expectativa majoritária de que a taxa de depósito alcance 2,50%.
O BCE aumentou os juros em junho e manteve as taxas em julho. Na última decisão, a instituição afirmou que avaliaria os dados reunião a reunião, sem assumir antecipadamente um caminho para o custo do dinheiro.
A inflação de agosto reforçou o argumento favorável a novo aperto. A energia apresentou alta anual estimada em 14,3%, ante 10,3% em julho. Os serviços desaceleraram de 3,3% para 3%, enquanto o índice que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco permaneceu em 2,2%.
Como a decisão pode afetar o Brasil
Juros mais altos na Europa elevam a remuneração de ativos considerados mais seguros. Dependendo do tom do comunicado, investidores globais podem reduzir posições em mercados emergentes ou redistribuir recursos entre Europa, Estados Unidos e países como o Brasil.
O efeito sobre o real não é automático. Uma alta do BCE pode fortalecer o euro diante do dólar, mas também pode elevar a aversão a risco e pressionar moedas emergentes. O resultado dependerá da comparação entre as trajetórias de juros europeus, americanos e brasileiros.
No mercado de ações, empresas exportadoras, bancos e companhias sensíveis ao câmbio podem reagir às mudanças nas taxas internacionais. O custo de captação em euros também importa para empresas e governos que possuem dívidas ou pretendem emitir títulos na moeda europeia.
Inflação e petróleo estarão no centro do comunicado
O avanço dos preços de energia é uma das principais fontes de incerteza. Petróleo e gás mais caros podem manter a inflação elevada, mas juros maiores também reduzem consumo e investimento. O BCE precisará mostrar como equilibra esses dois riscos.
As novas projeções serão tão importantes quanto a decisão. Se a instituição elevar suas estimativas de inflação para 2026 e 2027, o mercado poderá aumentar as apostas em novos ajustes. Caso indique desaceleração consistente, a alta de setembro poderá ser interpretada como o encerramento do ciclo.
Essa discussão ocorre enquanto os Estados Unidos também reavaliam sua política monetária. O payroll de agosto veio acima do esperado e aumentou a sensibilidade dos mercados a qualquer sinal de aperto adicional nas grandes economias.
O que acompanhar na quinta-feira
O primeiro ponto será a decisão sobre a taxa de depósito. Depois, a atenção passará para as projeções de inflação, a avaliação sobre energia e as respostas de Christine Lagarde sobre a possibilidade de novas altas.
Para o Brasil, a reação do euro, do dólar e dos rendimentos dos títulos europeus ajudará a medir o impacto imediato. A expectativa de aumento para 2,50% é ampla, mas somente o comunicado oficial confirmará a decisão e o tom adotado pelo BCE.