O banco de fomento teve o melhor resultado de sua história em 12 meses e, mais importante, emprestou muito mais: as aprovações de crédito saltaram 52%, puxadas por infraestrutura e agronegócio. Entenda o que isso significa para a economia.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgou nesta quarta-feira (12) um balanço robusto. O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o lucro chegou a R$ 17,1 bilhões, um recorde histórico para a instituição.
Mas, no caso de um banco de fomento como o BNDES, o lucro conta apenas parte da história. O dado mais relevante para a economia é quanto ele emprestou, e aqui os números também impressionaram.
Não é só lucro: o crédito disparou
A função do BNDES é financiar o desenvolvimento do país, e a "torneira" do crédito abriu com força. As aprovações de financiamento somaram R$ 110,6 bilhões no semestre, um salto de 52% na comparação com o ano anterior. Considerando também as operações garantidas, o volume total cresceu 19%.
O tamanho do banco acompanhou o movimento. A carteira de crédito atingiu R$ 684 bilhões, o maior patamar desde 2016, enquanto os ativos totais ultrapassaram a marca histórica de R$ 1 trilhão. Segundo o diretor financeiro Alexandre Abreu, "o BNDES vem consistentemente melhorando os resultados recorrentes".
Para onde foi o dinheiro?
O destino dos financiamentos ajuda a entender o impacto na economia real. O grande destaque foi a infraestrutura, área que liderou o crescimento com uma alta de 91% nas aprovações, mobilizando R$ 46 bilhões. São recursos que financiam obras como estradas, portos, saneamento e energia.
O agronegócio também teve peso, com alta de 46% e R$ 24,8 bilhões aprovados, seguido pela indústria, com R$ 22,5 bilhões (+24%). Ou seja, o dinheiro foi majoritariamente para setores que geram investimento, produção e empregos.
Por que isso importa para a economia?
O BNDES é a principal fonte de crédito de longo prazo do Brasil, aquele financiamento com prazos mais alongados que o mercado privado nem sempre oferece. Quando ele empresta mais para infraestrutura e indústria, isso tende a se traduzir, com o tempo, em mais obras, mais fábricas rodando e mais vagas de trabalho.
O banco também é peça-chave no apoio às exportações brasileiras. Foi o BNDES, por exemplo, que recentemente liberou R$ 3,7 bilhões para financiar a venda de jatos da Embraer (EMBR3) ao Canadá, ajudando a indústria nacional a competir no exterior. Vale destacar ainda a solidez da instituição: sua taxa de inadimplência é historicamente muito baixa, bem inferior à média do sistema financeiro.
O que fica no radar
A expansão do crédito do BNDES é acompanhada de perto porque tem efeito direto sobre o ritmo de investimentos no país. Um banco de fomento mais ativo pode impulsionar a economia, embora o volume e o direcionamento do crédito público sempre gerem debate sobre o melhor uso desses recursos.
Olhando à frente, um fator pode mudar o jogo: a queda dos juros. Com o Banco Central iniciando um ciclo de corte da Selic, já em 14%, o custo do crédito tende a cair de forma geral, o que pode aquecer ainda mais a demanda por financiamentos e sustentar o ritmo de investimentos nos próximos meses.