O Bradesco divulga nesta quinta-feira, 22 de outubro, depois do fechamento da bolsa, o resultado do terceiro trimestre de 2026. O mercado estima lucro recorrente perto de R$ 7,1 bilhões, mas a reação de BBDC4 dependerá principalmente da qualidade do crédito, das provisões e da margem financeira. O balanço chega após uma forte valorização eleitoral dos bancos e novas recomendações para o setor.
Quanto o mercado espera de lucro
O consenso compilado pela LSEG aponta lucro de aproximadamente R$ 7,1 bilhões. A Ativa Investimentos projeta resultado recorrente de R$ 7,099 bilhões, crescimento de 14,4% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e avanço de apenas 0,7% sobre o segundo trimestre deste ano.
A comparação mostra duas velocidades. O banco estaria melhor do que um ano antes, quando a recuperação da rentabilidade ainda ganhava força, mas praticamente estável diante dos três meses imediatamente anteriores. Um lucro próximo do consenso confirmaria a melhora anual sem indicar aceleração relevante.
“Os resultados do terceiro trimestre serão divulgados após o fechamento dos mercados.” — Agenda de Relações com Investidores do Bradesco
| Indicador esperado | Projeção |
|---|---|
| Lucro recorrente | Cerca de R$ 7,1 bilhões |
| Crescimento anual do lucro | 14,4% |
| Crescimento trimestral do lucro | 0,7% |
| ROAE | 15,7% |
| Margem financeira | R$ 20,96 bilhões |
| Provisões ampliadas | R$ 10 bilhões |
| Inadimplência acima de 90 dias | 4,2% |
| Carteira de crédito expandida | R$ 1,16 trilhão |
As projeções não são números divulgados pelo banco. Elas servem como referência para medir surpresa positiva ou negativa quando o balanço oficial for publicado.
Rentabilidade pode recuar na comparação trimestral
O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio, o ROAE, é esperado em 15,7% pela Ativa. A taxa ficaria acima dos 14,7% observados um ano antes, mas abaixo dos 16,2% do segundo trimestre de 2026.
O ROAE ajuda a mostrar quanto lucro o banco produz com o capital dos acionistas. Uma redução trimestral não significa, isoladamente, deterioração do negócio. O indicador pode variar com provisões, despesas, receitas de tesouraria, impostos e efeitos extraordinários.
O mercado vai procurar sinais de que o Bradesco consegue sustentar rentabilidade maior sem assumir risco excessivo. Para isso, o lucro precisa vir acompanhado de expansão saudável do crédito, margem consistente e controle das perdas.
Provisões serão o teste principal
A provisão para perdas de crédito deve ficar perto de R$ 10 bilhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre e 16,9% acima de um ano antes, segundo a projeção da Ativa. Esse valor representa a despesa reconhecida pelo banco para cobrir empréstimos que podem não ser pagos.
Uma provisão elevada pode consumir a melhora da receita financeira. Por outro lado, reservas suficientes protegem o balanço quando clientes atrasam ou renegociam dívidas. O ponto central será entender se o aumento anual resulta do crescimento da carteira, de uma piora efetiva dos clientes ou de uma postura mais conservadora da administração.
A inadimplência acima de 90 dias é estimada em 4,2%. A taxa cairia levemente em relação aos 4,3% do segundo trimestre, mas ficaria acima dos 4,1% registrados no mesmo período do ano passado.
Se a inadimplência vier abaixo da projeção e as provisões estabilizarem, o resultado poderá reforçar a leitura de melhora da qualidade do crédito. Uma alta inesperada, especialmente em pessoas físicas e pequenas empresas, aumentaria a cautela com os próximos trimestres.
Margem financeira deve crescer
A margem financeira projetada é de R$ 20,96 bilhões, alta anual de 12%. Essa linha reúne a diferença entre receitas e despesas de juros e é uma das principais fontes de resultado de um banco.
Depois das provisões, a margem é estimada em R$ 10,95 bilhões, avanço de 7,9% sobre um ano antes. A diferença entre os dois crescimentos revela quanto do ganho bruto pode ser absorvido pelas perdas esperadas com crédito.
O balanço também deverá mostrar o efeito do mix de produtos. Cartões, crédito pessoal e financiamento de veículos tendem a gerar margens maiores, mas carregam risco de inadimplência superior. Operações com grandes empresas costumam ter spreads menores e valores individuais maiores.
A carteira de crédito expandida é projetada em R$ 1,16 trilhão, aumento anual de 12,5%. O crescimento será melhor recebido se aparecer distribuído entre clientes e produtos, sem concentração excessiva e com indicadores de atraso controlados.
Tarifas e seguros podem compensar pressões
As receitas de tarifas são estimadas em R$ 11,32 bilhões, alta de 7,9% ante o segundo trimestre. Esse grupo inclui serviços de conta, cartões, administração de recursos, cobrança e outras atividades que não dependem diretamente do spread de crédito.
O resultado de seguros, previdência e capitalização, por outro lado, pode recuar 6,2%, para R$ 5,74 bilhões, conforme a composição projetada pela Ativa. Como o Bradesco possui uma operação de seguros relevante, mudanças nessa área podem alterar a leitura do lucro consolidado.
Também será necessário separar receitas recorrentes de ganhos de tesouraria e efeitos fiscais. Um trimestre pode superar o consenso por fatores que não se repetem. Por isso, a qualidade do lucro será tão importante quanto o número final.
Ações chegam valorizadas ao resultado
As ações preferenciais subiram 13,57% no pregão seguinte ao primeiro turno, em 5 de outubro. O movimento refletiu uma reprecificação dos bancos e de outros ativos brasileiros diante das expectativas eleitorais e fiscais.
Quando uma ação acumula alta forte antes do balanço, parte das boas notícias pode já estar incorporada ao preço. Um resultado em linha com o consenso nem sempre produz nova valorização; o mercado pode exigir números acima das projeções ou uma perspectiva mais favorável para os meses seguintes.
O contrário também vale. Se investidores estiverem excessivamente cautelosos com provisões, uma inadimplência melhor que a esperada pode pesar mais do que uma pequena diferença no lucro.
O que acompanhar na divulgação
O primeiro número será o lucro recorrente, comparado aos R$ 7,1 bilhões esperados. Em seguida, o leitor deve observar ROAE, inadimplência, provisões, margem com clientes, crescimento da carteira e resultado de seguros.
A apresentação da administração e a videoconferência marcada para sexta-feira, 23 de outubro, podem trazer informações sobre o quarto trimestre e as metas do banco. Comentários sobre renegociação de dívidas, pequenas empresas, cartões e custo operacional ajudarão a avaliar a sustentabilidade da recuperação.
Até a publicação do balanço, todos os valores são estimativas. A notícia decisiva virá após o fechamento, quando o Bradesco divulgar os dados oficiais e explicar se a expansão da margem foi suficiente para compensar o custo do crédito.