A partir desta sexta-feira, a Receita passa a emitir CNPJs que misturam letras e números. Quem já tem empresa não precisa mexer em nada, mas sistemas e contadores têm dever de casa. Veja como fica o novo formato.
O CNPJ vai ganhar letras. A partir de 31 de julho de 2026, a Receita Federal inicia a implantação progressiva do chamado CNPJ alfanumérico, um novo formato que combina números e letras na identificação das empresas. A mudança é oficial e foi detalhada pelo Serpro, a estatal de tecnologia responsável pelos sistemas do cadastro.
Calma: o número da sua empresa não vai mudar. O novo padrão vale apenas para novas inscrições, e mesmo assim de forma gradual. Quem já tem CNPJ continua com o mesmo número de sempre, sem precisar atualizar nada.
O que muda na prática?
O CNPJ mantém tudo o que você já conhece: são os mesmos 14 caracteres, na mesma máscara XX.XXX.XXX/XXXX-XX. A diferença é que, a partir de agora, as 12 primeiras posições podem conter letras (de A a Z) além dos números.
Os dois últimos caracteres, os dígitos verificadores, continuam sendo apenas números. O cálculo desses dígitos foi adaptado para o novo formato, mas segue a mesma lógica de validação de antes.
Resumindo o que continua igual e o que muda:
- Continua igual: os 14 caracteres, a máscara com pontos, barra e traço, e os CNPJs já existentes.
- Muda: letras passam a ser permitidas nas 12 primeiras posições, e o cálculo do dígito verificador foi ajustado.
Como fica? Veja exemplos
Na prática, um CNPJ novo poderá ter esta cara (todos os exemplos abaixo têm dígito verificador válido, calculado pela regra oficial):
| Formato | Exemplo |
|---|---|
| Atual (só números) | 11.222.333/0001-81 |
| Novo (com letras) | 12.ABC.345/01DE-35 |
| Novo (matriz 0001) | 12.ABC.345/0001-88 |
| Novo (variado) | A1.B2C.3D4/E5F6-68 |
| Novo (variado) | AB.123.CD4/56EF-80 |
Para o cálculo do dígito verificador, cada caractere passa a valer um número correspondente à sua posição na tabela de caracteres: os números de 0 a 9 seguem valendo 0 a 9, e as letras entram na sequência (A vale 17, B vale 18, e assim por diante até Z, que vale 42). Sobre esses valores é aplicada a mesma conta de sempre para chegar aos dois dígitos finais.
Preciso fazer alguma coisa?
Depende de quem você é.
Para a maioria das pessoas e das empresas já abertas, a resposta é não. Ninguém precisa trocar o número nem correr à Receita. Abrir um novo CNPJ também segue igual: o empreendedor não escolhe o formato, e o sistema define automaticamente.
A atenção real é para quem lida com tecnologia e cadastros. Desenvolvedores de software, casas de ERP, escritórios de contabilidade e qualquer empresa que armazena, valida ou troca dados usando o CNPJ precisam revisar seus sistemas para que aceitem letras no campo. Isso vale para cadastros de clientes e fornecedores, bancos de dados, emissão de notas, APIs e integrações. Se um sistema tratar o CNPJ como campo só numérico, ele pode passar a rejeitar clientes novos.
Para ajudar nessa adaptação, a Receita Federal disponibilizou um simulador oficial para gerar e testar CNPJs alfanuméricos, além de documentação técnica na página do programa.
Por que essa mudança?
O motivo é simples: o formato só com números está ficando sem vagas. Com o crescimento contínuo do número de empresas abertas no país, as combinações possíveis vão se esgotando. Ao incluir letras, a Receita amplia enormemente a quantidade de identificações disponíveis e garante que novas empresas continuem sendo registradas sem problema, mantendo a mesma estrutura de 14 caracteres.
O que fica no radar
A virada acontece nesta sexta-feira (31), quando deve sair o primeiro CNPJ no novo formato. A partir daí, a emissão será progressiva: durante a transição, novos CNPJs ainda poderão sair apenas com números, então nem todo cadastro novo terá letras de imediato.
O recado prático para empreendedores e empresas é conferir com o contador e com os fornecedores de software se os sistemas já estão prontos para o novo padrão, para não ter dor de cabeça ao emitir uma nota ou cadastrar um parceiro nas próximas semanas.
Com informações do Serpro e da Receita Federal.