De cada 100 empreendedores brasileiros, 35 tinham CNPJ em 2025. A proporção é a maior da série da Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira, 23 de setembro. Ainda assim, quase 20 milhões de empregadores e trabalhadores por conta própria, ou 65% desse grupo, estavam sem registro.
O levantamento considera empreendedores tanto os empregadores quanto as pessoas que trabalham por conta própria. Havia 30,6 milhões de pessoas nessas condições em 2025, das quais 10,7 milhões com CNPJ. O dado se refere ao ano passado; não é uma contagem de novos negócios abertos hoje.
A formalização avançou?
Sim, dentro da metodologia da pesquisa. Em 2012, 24% dos empreendedores tinham CNPJ. A proporção era de 33,6% em 2024 e chegou a 35% em 2025. O avanço geral, porém, esconde diferença entre grupos: 81,1% dos empregadores tinham registro, ante 27,1% dos trabalhadores por conta própria.
O registro pode facilitar emissão de notas fiscais, acesso a crédito e contratação formal, mas nem todo trabalhador autônomo se enquadra nas regras do microempreendedor individual. Quem já tem MEI também precisa observar suas obrigações, como o pagamento do DAS do Simples e do MEI.
Onde a formalização é menor?
Segundo o IBGE, construção e agropecuária tinham proporções de registro inferiores à média em 2025. O levantamento também mostra associação entre escolaridade e presença de CNPJ entre trabalhadores por conta própria. Essa relação estatística não prova, por si, que escolaridade seja a única causa da diferença.
A leitura mais útil do dado é dupla: houve recorde de formalização na série, mas a maioria dos empreendedores pesquisados ainda não tinha CNPJ. A pesquisa não mede diretamente a qualidade do emprego nem o faturamento desses negócios.