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Desemprego cai a 5,3% e Brasil bate recorde de trabalhadores ocupados

Desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho e Brasil atingiu recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas, segundo o IBGE.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho e Brasil atingiu recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas, segundo o IBGE.

O desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, enquanto o número de pessoas trabalhando chegou ao maior nível já registrado pela série histórica do IBGE.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, divulgados nesta quinta-feira, 27 de agosto, o país alcançou 103,3 milhões de pessoas ocupadas.

É o maior contingente desde o início da série histórica, em 2012.

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A taxa de desemprego de 5,3% também é a menor já registrada para um trimestre encerrado em julho.

O resultado chama atenção porque aparece justamente em um momento no qual outros indicadores vêm mostrando perda de ritmo da atividade. Recentemente, o Analistas mostrou que a economia brasileira perdeu força e o mercado reduziu a projeção para o PIB de 2026.

Desemprego caiu de 5,8% para 5,3%

No trimestre móvel encerrado em abril, a taxa de desemprego estava em 5,8%.

Agora caiu para 5,3%, uma redução de 0,5 ponto percentual.

Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o desemprego estava em 5,6%, também houve melhora.

Os principais números divulgados pelo IBGE são:

  • taxa de desemprego: 5,3%
  • população ocupada: 103,3 milhões
  • população desempregada: 5,8 milhões
  • trabalhadores com carteira assinada: 39,4 milhões
  • trabalhadores sem carteira: 13,8 milhões
  • trabalhadores informais: 38,8 milhões
  • rendimento médio real: R$ 3.762
  • massa total de rendimentos: R$ 383,5 bilhões

Os números mostram um mercado de trabalho ainda bastante resistente, mesmo diante dos juros elevados e dos sinais de desaceleração em outras áreas da economia.

Brasil tem 5,8 milhões de desempregados

Apesar de ainda haver milhões de brasileiros procurando trabalho, o contingente de desempregados também diminuiu.

O país tinha aproximadamente 5,8 milhões de pessoas desocupadas no trimestre encerrado em julho.

São cerca de 503 mil desempregados a menos em relação ao trimestre encerrado em abril, uma queda de 8%.

Na comparação com o mesmo período de 2025, a redução foi de aproximadamente 299 mil pessoas.

O comportamento do emprego contrasta com alguns indicadores recentes de atividade econômica.

O IBC-Br mostrou crescimento de apenas 0,2% no segundo trimestre, reforçando os sinais de que a economia começa a perder velocidade.

Por enquanto, porém, essa desaceleração ainda não se transformou em deterioração significativa do mercado de trabalho.

Número de pessoas trabalhando bate recorde

A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, o maior número registrado pela PNAD Contínua.

Na comparação com o trimestre anterior, aproximadamente 1 milhão de pessoas a mais passaram a integrar o grupo dos ocupados.

O crescimento foi de 1%.

Em relação ao mesmo período de 2025, o país ganhou aproximadamente 899 mil pessoas ocupadas.

O nível de ocupação, indicador que mede a proporção da população em idade de trabalhar que efetivamente possui ocupação, subiu para 58,9%.

Emprego com carteira também bate recorde

Outro número importante está no mercado formal.

O Brasil atingiu 39,4 milhões de trabalhadores empregados no setor privado com carteira assinada, desconsiderando trabalhadores domésticos.

Esse também é o maior contingente da série histórica.

Apesar do recorde, o crescimento do emprego com carteira foi pequeno no trimestre, de 0,4%.

Uma parcela relevante do aumento da ocupação veio, na verdade, dos trabalhadores sem carteira assinada.

Trabalho sem carteira cresce mais

O número de empregados do setor privado sem carteira assinada chegou a 13,8 milhões.

O avanço foi de 3,6% em relação ao trimestre anterior.

Isso representa aproximadamente 477 mil trabalhadores a mais sem carteira em apenas três meses.

Esse movimento ajuda a explicar outro dado importante da pesquisa: a informalidade voltou a avançar.

Informalidade sobe para 37,5%

A taxa de informalidade alcançou 37,5% da população ocupada.

No trimestre anterior, estava em 37,2%.

Em números absolutos, aproximadamente 38,8 milhões de brasileiros estavam em trabalhos considerados informais.

O dado merece atenção porque mostra que o recorde de ocupação não significa necessariamente que todo o crescimento esteja acontecendo por meio de empregos formais.

Parte importante da expansão continua vindo de vínculos sem carteira, trabalhos por conta própria e outras modalidades informais.

O mercado de trabalho também passa por uma transformação mais ampla provocada pela tecnologia e por novos modelos de contratação. O Analistas já mostrou, por exemplo, como a inteligência artificial está mudando o emprego e sendo associada a milhares de demissões nos Estados Unidos.

Construção foi destaque na criação de empregos

Entre os grandes setores da economia acompanhados pelo IBGE, a construção foi o único que apresentou crescimento estatisticamente significativo da ocupação em relação ao trimestre anterior.

O setor ganhou aproximadamente 371 mil trabalhadores, um aumento de 5,1%.

Na comparação de 12 meses, outras áreas também registraram avanço.

A construção ganhou cerca de 308 mil ocupados.

Transporte, armazenagem e correio adicionaram aproximadamente 321 mil pessoas.

Já o grupo que reúne administração pública, educação, saúde e serviços sociais ganhou cerca de 438 mil trabalhadores.

Por outro lado, os serviços domésticos perderam aproximadamente 229 mil ocupados em um ano.

Salário médio chega a R$ 3.762

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.762.

Na comparação com o trimestre anterior, o resultado foi considerado estatisticamente estável pelo IBGE.

Em relação ao mesmo período do ano passado, porém, houve crescimento real de 3,3%.

O rendimento médio estava em R$ 3.643 no trimestre encerrado em julho de 2025.

Isso significa que, além do aumento do número de ocupados, a renda média também está acima do nível observado um ano atrás.

Massa de renda bate recorde de R$ 383,5 bilhões

Talvez um dos números mais relevantes para a atividade econômica esteja na massa de rendimentos.

A soma da renda habitual de todos os trabalhadores chegou a aproximadamente R$ 383,5 bilhões.

É o maior valor da série histórica.

Em relação ao ano anterior, a massa cresceu 4,1%, ou aproximadamente R$ 15,1 bilhões.

Esse indicador é especialmente relevante porque ajuda a medir a quantidade de dinheiro que chega às famílias por meio do trabalho.

Uma massa salarial maior tende a sustentar consumo, serviços e comércio, mesmo em momentos em que os juros elevados começam a desacelerar outras partes da economia.

Menos brasileiros desistiram de procurar emprego

Outro indicador positivo apareceu entre os chamados trabalhadores desalentados.

São pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditar que não encontrariam uma oportunidade.

Essa população caiu para aproximadamente 2,3 milhões de pessoas.

A queda foi de 9,7% em relação ao trimestre anterior e de 14,1% em 12 meses.

Isso é importante porque uma queda artificial do desemprego poderia ocorrer simplesmente se muitas pessoas parassem de procurar trabalho.

Os números atuais mostram uma situação diferente: a população ocupada aumentou enquanto o desalento diminuiu.

O que o desemprego baixo significa para a economia?

O mercado de trabalho continua sendo um dos principais pontos de sustentação da economia brasileira.

Mesmo com sinais de desaceleração da atividade, o número de pessoas trabalhando permanece elevado e a massa salarial segue crescendo.

Essa combinação ajuda a sustentar o consumo das famílias.

Por outro lado, um mercado de trabalho muito aquecido também é acompanhado atentamente pelo Banco Central.

Salários e consumo mais fortes podem dificultar a desaceleração de preços principalmente no setor de serviços.

O cenário é particularmente importante porque a economia brasileira vive uma combinação incomum: indicadores de atividade começam a mostrar perda de força, mas o mercado de trabalho continua próximo de seus melhores níveis históricos.

O FMI também destacou recentemente a força do mercado de trabalho brasileiro ao elevar sua projeção para a economia do país.

Emprego forte pode influenciar a Selic?

Sim, embora o desemprego seja apenas uma parte do conjunto de informações acompanhado pelo Banco Central.

Um mercado de trabalho aquecido pode sustentar a renda e o consumo e, consequentemente, manter pressão sobre determinados preços.

Por outro lado, outros dados vêm apontando desaceleração da economia e da inflação.

Para o Banco Central, o desafio será avaliar qual dessas forças será predominante nos próximos meses.

Se a atividade continuar perdendo ritmo sem uma deterioração abrupta do emprego e a inflação continuar recuando, aumenta o espaço para cortes adicionais da Selic.

Caso a demanda permaneça forte e volte a pressionar preços, o BC poderá adotar uma postura mais cautelosa.

O Brasil está com pleno emprego?

Uma taxa de desemprego de 5,3% é historicamente baixa para o Brasil, mas isso não significa automaticamente que o país tenha atingido tecnicamente o chamado pleno emprego.

Esse conceito não significa desemprego zero.

Sempre existe algum nível de desemprego decorrente de pessoas mudando de emprego, entrando no mercado de trabalho ou procurando uma nova ocupação.

Além disso, indicadores como informalidade, subutilização e desalento também precisam ser considerados.

A taxa de subutilização da força de trabalho, por exemplo, ficou em 13% no trimestre encerrado em julho.

Isso representa aproximadamente 14,9 milhões de pessoas desempregadas, subocupadas ou que poderiam estar trabalhando mais.

Portanto, o dado divulgado nesta quinta mostra um mercado de trabalho muito forte em termos históricos, mas ainda existem desafios relacionados à qualidade e à formalização das vagas.

Mercado de trabalho segue resistente

O conjunto da PNAD divulgado pelo IBGE mostra que o mercado de trabalho brasileiro continua resistente.

O desemprego caiu, a população ocupada bateu recorde, o emprego com carteira atingiu seu maior nível histórico e a massa de renda chegou a R$ 383,5 bilhões.

Ao mesmo tempo, a expansão do trabalho sem carteira e o aumento da informalidade mostram que a fotografia não é inteiramente positiva.

Os próximos meses serão importantes para mostrar se o emprego conseguirá manter essa força enquanto os efeitos dos juros elevados continuam chegando à economia.

Fonte principal: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada em 27 de agosto de 2026.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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