A Eve, subsidiária da Embraer, fechou a venda de até 46 carros voadores para empresas da Suíça e dos EUA neste domingo. E o Eve 100 promete voar fazendo o barulho de um cochicho. Faltam dois anos para ele sair do papel.
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, anunciou neste domingo (19) a assinatura de cartas de intenção para a venda de até 46 aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (os eVTOLs, ou "carros voadores"). Vão até 30 unidades para a suíça Moov e 16 para a americana Shearwater Global Capital. Os valores não foram divulgados.
Antes que você pense em estacionar um na garagem: esses acordos são entre empresas. A Moov pretende usar as aeronaves em turismo e mobilidade regional em Cabo Verde e na Europa, enquanto a Shearwater atua no financiamento aeronáutico. O carro voador nasce como transporte coletivo e táxi aéreo, não como veículo particular, ao menos por enquanto.
O detalhe que impressiona: o silêncio
Um dos números mais surpreendentes do projeto não é a velocidade nem a autonomia, é o ruído. Segundo a base regulatória em análise, o Eve 100 deverá emitir no máximo 15 decibéis durante o voo a 150 metros de altitude. Para efeito de comparação, isso equivale ao farfalhar de folhas ou a um cochicho, muito abaixo dos 50 decibéis que a Organização Mundial da Saúde aponta como limite seguro para o ouvido humano.
A aeronave é totalmente elétrica, tem autonomia em torno de 100 quilômetros, leva quatro passageiros mais o piloto e não emite carbono na operação.
Quando isso vira realidade
O avanço desta semana foi tanto comercial quanto regulatório. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recebe até 8 de agosto contribuições para a regulamentação dos eVTOLs no Brasil, e a agência europeia, a Easa, iniciou o processo de validação do modelo brasileiro. A Embraer projeta o início das operações do Eve 100 para 2027.
Antes mesmo de entrar em produção, a Eve já acumulou uma carteira de intenções de compra que passa de 2.800 aeronaves, de clientes em países como Brasil, EUA, Índia e França. A companhia é vista como uma das líderes globais na corrida da mobilidade aérea avançada, e sua primeira fábrica ficará em Taubaté, no interior de São Paulo.