O Ibovespa fechou esta quinta-feira, 17 de setembro, em alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos, depois de cair 1,24% no pior momento do pregão. O dólar comercial recuou 0,23%, vendido a R$ 5,1393. Após a redução da Selic para 13,75% e o reajuste do Bolsa Família para R$ 691, a sessão foi marcada por forte oscilação entre o cenário fiscal brasileiro e a melhora dos mercados no exterior.
O índice variou entre 183.242,37 e 186.885,23 pontos. A diferença mostra que a alta de 0,24% no fechamento não resume o risco observado ao longo do dia. O volume financeiro foi de aproximadamente R$ 18,6 bilhões.
Por que o Ibovespa caiu e depois virou
O mercado abriu avaliando as decisões dos bancos centrais. No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, mas manteve uma comunicação cautelosa e não prometeu nova redução em novembro. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
A pressão aumentou após o anúncio do reajuste de 15,04% no piso do Bolsa Família, que passará de R$ 600 para R$ 691 na folha de outubro. Investidores passaram a avaliar o custo da medida e sua acomodação no Orçamento. Essa reação atingiu principalmente o câmbio, os juros futuros e ações mais sensíveis ao risco doméstico.
Ao longo da tarde, porém, a melhora das bolsas americanas, a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o avanço de ações de grande peso permitiram a recuperação do Ibovespa. A leitura correta, portanto, é de uma sessão de alta volatilidade, e não de uma resposta linear a um único acontecimento.
Vale ajuda na recuperação do índice
A Vale (VALE3) avançou 2,11% e foi um dos principais suportes do Ibovespa. A alta ocorreu após dias de pressão sobre o minério de ferro, contexto detalhado na análise sobre os efeitos da commodity sobre a Vale.
Entre os maiores ganhos percentuais do índice, Yduqs (YDUQ3) subiu cerca de 3%, enquanto Santander Brasil (SANB11), Bradespar (BRAP4) e Auren (AURE3) também ficaram entre os destaques positivos. Na direção contrária, Marcopolo (POMO4) caiu mais de 5%.
As ações da Petrobras terminaram próximas da estabilidade, com desempenho dividido entre as classes de papéis. O petróleo Brent para novembro recuou 0,95%, a US$ 104,82 por barril, após notícias de maior disponibilidade de cargas sauditas por rotas alternativas.
Dólar termina abaixo de R$ 5,14
O dólar comercial oscilou durante o pregão, chegou a subir e terminou vendido a R$ 5,1393, queda de 0,23%. A moeda refletiu forças opostas: o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos ficou menos favorável ao real, mas o ambiente externo melhor e o movimento eleitoral ajudaram a conter a cotação.
Os juros futuros também chegaram a subir com a preocupação fiscal, mas devolveram o movimento e encerraram em queda ao longo da curva. Isso mostra que os investidores ainda estão calibrando o efeito conjunto da política monetária, do Orçamento e da eleição.
Wall Street fecha em forte alta
Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,61%, o S&P 500 avançou 1,14% e o Nasdaq ganhou 1,69%. As empresas de tecnologia lideraram a recuperação, enquanto o recuo do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries reduziu parte da aversão ao risco provocada pela alta dos juros anunciada pelo Fed.
O avanço externo foi importante para a virada da Bolsa brasileira. Ainda assim, a diferença entre a alta do Nasdaq e o ganho moderado do Ibovespa evidencia que fatores domésticos limitaram o desempenho local.
O que acompanhar na sexta-feira
O Ministério da Fazenda divulgará nesta sexta-feira, 18 de setembro, o Boletim Macrofiscal. O documento poderá atualizar projeções de atividade, inflação e resultado fiscal e será acompanhado de perto após o anúncio do novo valor do Bolsa Família.
No exterior, investidores monitorarão novos dados da economia americana e qualquer sinal sobre petróleo e juros. Como o pregão desta quinta reuniu movimentos muito diferentes ao longo do dia, os próximos indicadores serão importantes para mostrar se a recuperação terá continuidade ou se a volatilidade permanecerá elevada.