O Ibovespa fechou esta quarta-feira, 16 de setembro, em queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos. O pregão refletiu a alta dos juros nos Estados Unidos, a queda do petróleo e a cautela antes da decisão em que o Copom reduziu a Selic para 13,75%.
O dólar comercial encerrou em R$ 5,151, com recuo de 0,06%. A moeda oscilou entre R$ 5,137 e R$ 5,166, mostrando uma reação limitada mesmo depois que o Federal Reserve elevou sua taxa básica para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
Petrobras e Vale pressionaram o índice
As ações preferenciais da Petrobras, PETR4, caíram 3,53%, enquanto PETR3 recuou 4,27%. O movimento acompanhou o petróleo Brent, que perdeu 2,69% e terminou cotado a US$ 105,83 por barril.
A queda da commodity ocorreu após sessões de forte volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio. Mesmo com o recuo desta quarta-feira, o preço continua em patamar elevado e permanece relevante para inflação, combustíveis e resultados das petrolíferas.
A Vale, VALE3, recuou 2,14%. Como Petrobras e Vale possuem peso expressivo no Ibovespa, as perdas dificultaram uma reação do índice, mesmo com avanços em empresas domésticas.
Varejo subiu apesar dos juros altos
Magazine Luiza, MGLU3, liderou as altas do Ibovespa com avanço de 6,64%. Assaí, ASAI3, ganhou 4,66%, CSN avançou 4,03%, Raia Drogasil subiu 4,01% e Lojas Renner teve valorização de 3,14%.
A alta dessas empresas ocorreu antes da decisão do Copom e não significa que todos os efeitos do corte da Selic já tenham sido incorporados aos preços. A transmissão de juros menores para consumo e crédito é gradual e depende também de inflação, renda e condições bancárias.
Banco do Brasil, BBAS3, avançou 3,04%. Itaú PN recuou 0,12%, Santander Unit caiu 0,96%, Bradesco PN subiu 0,05% e B3SA3 ganhou 0,92%.
Braskem teve a maior queda do dia
BRKM5 caiu 15,17% e ocupou a última posição do Ibovespa. O movimento aprofundou a pressão observada durante o pregão, depois que uma instituição financeira reduziu sua avaliação para os papéis. O Analistas detalhou por que BRKM5 despencou.
PRIO3 recuou 4,72%, PETR3 perdeu 4,27%, PETR4 caiu 3,53%, USIM5 baixou 3,17% e BRAP4 teve queda de 2,93%. O conjunto mostra que commodities e empresas diretamente relacionadas dominaram a ponta negativa.
Fed elevou juros pela primeira vez desde 2023
O Federal Reserve aumentou a taxa americana em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi unânime e marcou a primeira alta desde julho de 2023.
Juros americanos mais elevados tendem a aumentar a atratividade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e podem reduzir o apetite por ativos de países emergentes. O impacto sobre o Brasil, porém, depende de expectativas, fluxo cambial, preços de commodities e do diferencial entre as taxas dos dois países.
Em Nova York, o Dow Jones caiu 1,21%, o S&P 500 recuou 0,44% e o Nasdaq ficou próximo da estabilidade, com baixa de 0,01%.
Copom cortou a Selic depois do fechamento
Depois do encerramento dos negócios na B3, o Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi unânime, mas o comitê deixou os próximos passos em aberto.
A decisão não aparece integralmente nas cotações de fechamento desta quarta-feira, porque foi divulgada após o pregão regular. A reação dos juros futuros, do câmbio e das ações será observada na abertura seguinte.
O corte ocorreu no mesmo dia em que o IBC-Br mostrou queda de 0,2% em julho. A combinação de atividade mais fraca e inflação ainda acima da meta ajuda a explicar por que o Copom reduziu a taxa, mas manteve o discurso cauteloso.
IFIX ficou praticamente estável
O IFIX encerrou em queda de 0,06%, aos 3.742,57 pontos. TRXF11 subiu 0,65%, XPML11 avançou 0,28% e GGRC11 ganhou 0,22%. KNIP11 caiu 1,07% e BTLG11 recuou 0,54%.
Fundos imobiliários podem reagir às mudanças nas expectativas de juros, mas cada carteira possui imóveis, contratos, dívidas e riscos diferentes. A variação de um único pregão não determina a trajetória futura de um fundo.
O que acompanhar no próximo pregão
O mercado deverá reprecificar simultaneamente o corte da Selic no Brasil e a alta dos juros nos Estados Unidos. A abertura do dólar e dos contratos de juros mostrará qual decisão teve maior peso na percepção inicial dos investidores.
Também entram no radar a reação do petróleo, as ações da Petrobras e os sinais do Banco Central sobre a próxima reunião. Os preços e percentuais desta reportagem correspondem ao fechamento consolidado de 16 de setembro e não constituem recomendação de investimento.