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Governo aprova gasolina E32 com 32% de etanol; entenda o que muda

Governo aprova gasolina E32, com 32% de etanol, que deve cair R$ 0,03 na bomba. Veja os cuidados para carros antigos, importados e esportivos.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Governo aprova gasolina E32 com 32% de etanol; entenda o que muda

Governo aprovou a mistura E32, que deve deixar a gasolina cerca de R$ 0,03 mais barata na bomba e reduzir importações. Mas donos de carros antigos, importados e esportivos precisam redobrar a atenção.

O combustível que você abastece acabou de mudar de fórmula. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina comum, que sobe de 30% para 32%. É a chamada gasolina E32, válida em todo o país. A medida vale por 180 dias, com possibilidade de ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período, e pode até virar permanente mais adiante, segundo sinalizações do próprio governo.

Para se ter uma ideia da velocidade dessa mudança, em pouco mais de um ano o etanol na gasolina saltou de 27% para 32%. Ou seja, o combustível de origem vegetal já representa quase um terço de tudo o que sai da bomba.

A gasolina vai ficar mais barata?

Essa é a pergunta que todo motorista faz. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o preço na bomba deve cair cerca de R$ 0,03 por litro com a nova mistura. É um alívio modesto, mas que aparece em um momento de pressão sobre os combustíveis por causa da alta do petróleo no mercado internacional.

Além do bolso do consumidor, o governo mira um ganho estratégico. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a nova proporção vai fazer o Brasil deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a dependência externa e fortalecendo o setor de biocombustíveis nacional.

Atenção, dono de carro antigo ou importado

Aqui mora o principal ponto de cuidado. Embora a maioria dos carros flex rode tranquilamente com a nova mistura, alguns veículos são mais sensíveis ao excesso de etanol. A lista de atenção inclui modelos antigos, importados que foram apenas adaptados ao combustível brasileiro e esportivos de alto desempenho.

O motivo é técnico, mas dá para entender de forma simples. Como o etanol precisa de menos ar que a gasolina para queimar, o sistema de injeção de um carro que não é flex pode não dar conta de compensar a diferença. O resultado aparece no dia a dia: perda de força, "buracos" na aceleração e dificuldade para dar a partida com o motor frio.

Há também um risco para as próprias peças. O etanol absorve umidade com facilidade e é mais corrosivo que a gasolina pura. Em motores que não foram projetados para tanta concentração de álcool, isso pode ressecar mangueiras, juntas e vedações de borracha, além de favorecer a corrosão em partes metálicas e na bomba de combustível.

Como se proteger na prática

Para quem tem um carro do grupo de risco, duas recomendações simples ajudam bastante. A primeira é evitar deixar o combustível parado no tanque por muito tempo, já que isso aumenta a chance de corrosão e desgaste. A segunda é considerar a gasolina premium, que costuma custar cerca de 20% a mais, mas mantém um teor menor de etanol, entre 22% e 25%.

Vale lembrar que a fórmula anterior, de 30%, já havia sido testada pelo Instituto Mauá, inclusive em veículos fabricados entre 1994 e 2024. A expectativa é que esses testes sejam refeitos para o novo percentual de 32%.

O que fica no radar

A aprovação da E32 mostra um governo apostando forte no etanol, tanto para segurar o preço quanto para reduzir importações. Não à toa, ações ligadas ao setor sucroalcooleiro, como São Martinho e Jalles Machado, reagiram na bolsa à notícia. Os fabricantes de veículos, por meio da Anfavea, chegaram a manifestar preocupação com a segurança da mudança, o que mantém o tema em aberto. Para o motorista, o recado é ficar de olho no desempenho do carro nas próximas semanas e, na dúvida sobre o seu modelo, consultar o manual ou a montadora.

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