Decreto publicado nesta terça-feira, 25 de agosto, regulamenta o Sistema de Compras Expressas e permite que órgãos federais adquiram bens e serviços padronizados por plataformas eletrônicas.
O governo federal regulamentou nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, o Sistema de Compras Expressas, o Sicx, novo modelo que pretende aproximar parte das compras públicas da lógica dos marketplaces digitais.
O Decreto nº 13.106, publicado no Diário Oficial da União, regulamenta o uso do sistema no âmbito da administração pública federal. A proposta é permitir a compra de bens e serviços comuns e padronizados de fornecedores previamente credenciados.
Na prática, órgãos públicos poderão consultar ofertas disponíveis eletronicamente e realizar contratações dentro das regras do Sicx, reduzindo a necessidade de repetir procedimentos burocráticos para produtos padronizados.
Fornecedor terá cadastro permanente
Uma das mudanças relevantes está no credenciamento.
O decreto estabelece que o acesso dos fornecedores ficará permanentemente disponível, integrado ao Registro Cadastral Unificado.
Os editais também poderão ter vigência indeterminada e incorporar novos bens e serviços que se enquadrem nas mesmas regras.
A Secretaria de Gestão e Inovação do Ministério da Gestão será responsável pela administração central do sistema, incluindo normas complementares, plataforma e editais de credenciamento.
Segundo o governo, o Registro Cadastral Unificado deverá ser lançado no último trimestre de 2026.
Empresas privadas também poderão participar
O Sicx não será restrito aos grandes fornecedores tradicionais do governo.
A intenção é ampliar o número de empresas capazes de disputar compras públicas, aproveitando inclusive estruturas de comércio eletrônico que elas já utilizam no mercado privado.
O decreto também prevê compradores privados autorizados, incluindo empresas públicas, sociedades de economia mista, serviços sociais autônomos e determinadas entidades sem fins lucrativos.
Para pequenos negócios, a mudança ocorre paralelamente à expansão do Contrata+Brasil, plataforma voltada principalmente à contratação de serviços de Microempreendedores Individuais por órgãos públicos.
O que poderá ser comprado pelo Sicx?
O modelo é voltado a itens que possam ser comparados e contratados repetidamente, sem necessidade de especificações altamente individualizadas.
O próprio decreto define como elegíveis os chamados bens e serviços padronizados, classificados como bens e serviços comuns pela Lei de Licitações.
Isso significa que o Sicx não substitui todas as licitações públicas.
Obras complexas, projetos personalizados e contratações que exijam critérios específicos continuarão submetidos aos procedimentos adequados previstos na legislação.
Governo tenta reduzir custo das compras
A lógica econômica é aproveitar tecnologias que já funcionam no comércio eletrônico privado para diminuir etapas administrativas e ampliar a competição entre fornecedores.
Quanto mais empresas habilitadas a oferecer um produto comparável, maior tende a ser a capacidade do poder público de pesquisar condições antes da contratação.
Para as empresas, também pode surgir um novo canal de vendas.
O fornecedor que hoje comercializa produtos apenas para consumidores ou outras empresas poderá disputar também parte das compras governamentais, desde que cumpra os requisitos do sistema.
Essa abertura ocorre em um momento de mudanças importantes para as empresas brasileiras. O Analistas já mostrou como a reforma tributária está alterando a relação entre fornecedores e o caixa das empresas. A página consta no sitemap atual do site.
Sicx começa com regulamentação, mas implantação será gradual
A publicação do decreto estabelece a estrutura jurídica do sistema, mas não significa que todas as compras federais migram imediatamente para o novo formato.
O Ministério da Gestão ainda deverá publicar normas complementares, organizar os credenciamentos e disponibilizar a infraestrutura operacional.
A expectativa é criar gradualmente um ambiente em que itens padronizados possam ser adquiridos de maneira mais próxima à experiência de um comércio eletrônico.
Se funcionar como planejado, a mudança pode atingir dois lados importantes da economia: o custo das compras realizadas pelo governo e o acesso das empresas ao mercado público.