O governo Lula pretende aumentar a pressão sobre o Congresso para proibir jogos de cassino online, como o chamado “jogo do tigrinho”, antes das eleições de outubro de 2026.
Segundo o Poder360, o Planalto deve retomar a articulação após o recesso parlamentar, na primeira semana de agosto. O governo argumenta que os jogos digitais contribuem para o endividamento das famílias e estimulam comportamentos compulsivos.
Projeto está parado na Câmara
A principal proposta sobre o tema é o Projeto de Lei 2.258/2026, apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara.
O texto proíbe a operação, a oferta e a publicidade de jogos cujo resultado seja produzido por sistemas eletrônicos ou algoritmos. Isso inclui caça-níqueis digitais e jogos semelhantes ao Fortune Tiger.
O projeto, porém, ainda aguarda despacho da presidência da Câmara. Para virar lei, precisará ser aprovado pelos deputados, pelo Senado e sancionado pelo presidente.
Apostas esportivas não seriam proibidas
A proposta não determina o fim de todas as bets.
As apostas baseadas em eventos esportivos reais continuariam autorizadas, assim como as loterias oficiais. A proibição ficaria concentrada nos cassinos digitais em que o resultado é determinado pelo sistema da plataforma.
O governo já ampliou o controle sobre o setor. Desde julho, propagandas de bets precisam exibir advertências como “Aposta não é investimento” e “Apostar faz você perder dinheiro”.
O Analistas explicou as novas regras para propagandas de apostas.
Governo mira repercussão eleitoral
O Planalto avalia que existe rejeição crescente aos cassinos online, especialmente entre famílias afetadas por dívidas e grupos religiosos.
A estratégia também envolve apresentar Lula como responsável pelo endurecimento das regras durante a campanha eleitoral.
Ao mesmo tempo, o setor tornou-se uma fonte relevante de arrecadação. Entre janeiro e maio de 2026, as empresas de apostas recolheram R$ 5,89 bilhões em impostos, segundo os números citados pelo Poder360.
O governo também vem redirecionando parte dos recursos das apostas para órgãos públicos. Uma medida aprovada no Congresso prevê o repasse gradual de até 3% da arrecadação das bets à Polícia Federal.
Por enquanto, o jogo do tigrinho ainda não foi proibido. A intenção política existe, mas depende da aprovação do projeto pelo Congresso.