O governo federal elevou a projeção de receita primária total de 2026 para R$ 3,237 trilhões, valor arredondado para R$ 3,24 trilhões. A estimativa equivale a 23,66% do PIB e consta do relatório fiscal do terceiro bimestre. Não se trata de dinheiro já arrecadado, mas de previsão para o conjunto do ano.
A projeção anterior era de R$ 3,218 trilhões. A revisão acrescentou R$ 19,2 bilhões ao total esperado, principalmente pela alta de R$ 27,8 bilhões nas receitas administradas pela Receita Federal, líquidas de incentivos fiscais.
De onde vêm os R$ 3,24 trilhões
O total reúne R$ 2,0798 trilhões em receitas administradas pela Receita Federal, R$ 784 bilhões de arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social e R$ 373,4 bilhões em receitas não administradas.
Entre os tributos administrados, a projeção inclui R$ 953,5 bilhões de Imposto de Renda, R$ 419,7 bilhões de Cofins, R$ 201,2 bilhões de CSLL, R$ 114,3 bilhões de Imposto de Importação e R$ 106,1 bilhões de IOF. São estimativas sujeitas a revisão conforme atividade, preços, emprego e medidas tributárias.
Receita total não é dinheiro livre no caixa
Do total projetado, R$ 643,6 bilhões correspondem a transferências por repartição de receitas a estados e municípios. Depois delas, a receita líquida estimada fica em R$ 2,5936 trilhões, ou 18,95% do PIB.
Esse valor também não pode ser comparado diretamente com o resultado fiscal sem considerar despesas. O relatório estima R$ 2,6456 trilhões em despesas primárias. Antes das deduções permitidas pelas regras fiscais, o resultado do Governo Central seria negativo em R$ 52 bilhões.
O que melhorou na revisão
A estimativa para as receitas administradas aumentou de R$ 2,052 trilhões para R$ 2,0798 trilhões. Imposto de Renda respondeu por R$ 12,7 bilhões da revisão, Cofins por R$ 5,6 bilhões, CSLL por R$ 4,8 bilhões e IPI por R$ 4,4 bilhões.
Em sentido contrário, a projeção da arrecadação líquida do RGPS caiu R$ 4,3 bilhões, para R$ 784 bilhões. As receitas não administradas também recuaram R$ 4,3 bilhões, com redução de R$ 4,1 bilhões no grupo de demais receitas.
Por que a projeção pode mudar
O governo reavalia receitas e despesas a cada bimestre para verificar o cumprimento da meta fiscal e os limites de gasto. Crescimento econômico, inflação, massa salarial, preço do petróleo, câmbio e decisões judiciais alteram as contas ao longo do ano.
No mesmo relatório, a estimativa de IPCA para 2026 subiu para 5,08%, enquanto a projeção de crescimento real do PIB ficou em 2,27%. A taxa Selic acumulada no ano foi estimada em 14,16%. Esses parâmetros alimentam os cálculos fiscais, mas continuam sujeitos a novas informações.
O dado deve ser analisado ao lado dos resultados realizados. Em julho, a arrecadação mensal bateu recorde e alcançou R$ 289,3 bilhões, enquanto o Governo Central registrou superávit de R$ 10,8 bilhões no mês. Um mês positivo não garante o resultado do ano.
Transparência dos números
Os valores foram conferidos no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre de 2026, divulgado pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda em 24 de julho. “R$ 3,24 trilhões” é o arredondamento da projeção oficial de R$ 3,2372 trilhões.