O Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, revertendo o déficit de R$ 59,1 bilhões observado no mesmo mês de 2025. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional.
O resultado primário mede receitas menos despesas antes dos juros da dívida. Em julho, Tesouro e Banco Central tiveram saldo positivo de R$ 33 bilhões, enquanto a Previdência apresentou déficit de R$ 22,2 bilhões.
Por que o resultado melhorou?
A receita líquida cresceu 7,7% acima da inflação na comparação anual. As despesas totais recuaram 20,7%, influenciadas também pela mudança no calendário de pagamentos de precatórios.
O ano ainda está no vermelho
De janeiro a julho, o Governo Central acumulou déficit de R$ 81,3 bilhões. Em 12 meses, o resultado negativo chegou a R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto.
Por isso, o superávit de um único mês não elimina o desafio fiscal. Investidores acompanham a capacidade do governo de cumprir a meta, controlar despesas e estabilizar a dívida.
Resultado primário não inclui os juros da dívida
O superávit divulgado é primário. Ele não considera a despesa financeira gerada pelos juros da dívida pública. Para avaliar a trajetória completa das contas, também é necessário acompanhar o resultado nominal e a relação entre dívida e PIB.
Juros elevados aumentam o custo de financiamento do governo e podem reduzir o espaço para outras despesas. Uma trajetória fiscal mais previsível tende a influenciar as taxas futuras, o câmbio e a percepção de risco dos investidores.
Um único mês positivo não elimina o déficit acumulado. Receitas e despesas têm comportamento sazonal, com pagamentos e arrecadações concentrados em períodos diferentes. Por isso, a leitura mais segura compara o resultado do mês, o acumulado do ano e a meta fiscal.