O governo dos Países Baixos anunciou a intenção de investir US$ 500 milhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, criado pelo Brasil e lançado na COP30. O mecanismo conecta preservação, ações de financiamento sustentável e projetos de energia e desenvolvimento com menor emissão.
Aporte será feito em dez anos
O dinheiro não entrará de uma vez. O compromisso será dividido ao longo de uma década, oferecendo uma fonte mais previsível para a estrutura do fundo.
Brasil, Noruega, Luxemburgo, Indonésia, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido estão entre os países ligados à coalizão internacional do TFFF.
Como o fundo funciona
O mecanismo pretende captar recursos de governos e investidores privados. Os títulos emitidos devem oferecer juros estáveis, enquanto a diferença obtida com investimentos financiará pagamentos a países que conservarem florestas.
| Meta do TFFF | Valor |
|---|---|
| Captação total | US$ 125 bilhões |
| Recursos privados pretendidos | US$ 100 bilhões |
| Participação de governos | US$ 25 bilhões |
| Compromisso dos Países Baixos | US$ 500 milhões |
| Parcela mínima para povos tradicionais | 20% dos pagamentos nacionais |
Os repasses dependerão de verificação por imagens de satélite. Países só receberão se mantiverem o desmatamento abaixo dos limites definidos.
Floresta vira ativo econômico
A proposta tenta remunerar a preservação contínua, e não apenas projetos isolados. Isso cria um incentivo financeiro para manter a floresta em pé durante vários anos.
O fundo pode proteger mais de 1 bilhão de hectares em mais de 70 países, segundo seus idealizadores. O Banco Mundial participa do desenvolvimento do mecanismo.
Papel de povos indígenas
Pelo menos 20% dos pagamentos nacionais deverão ser destinados a povos indígenas e comunidades tradicionais. Esses grupos participam diretamente da conservação e do monitoramento de áreas florestais.
A regra busca evitar que todo o recurso permaneça em governos centrais ou intermediários financeiros.
O que ainda falta
O anúncio holandês é um compromisso de investimento, não um depósito imediato. O fundo precisa concluir sua estrutura, captar o capital privado e definir regras operacionais detalhadas.
A previsão divulgada é que o TFFF esteja operacional até meados de 2027. Até lá, transparência, custo de gestão e critérios de verificação serão decisivos para atrair investidores e países com florestas tropicais.